
Senado vota fim da escala 6×1 nesta quarta-feira; entenda o que está em jogo e como governo e oposição se articulam
14 de outubro de 2026As propostas incluem perdão de dívidas tributárias, renegociação de débitos bancários e apoio financeiro de até R$ 5 mil para investimentos. O governo também prevê aumentar o teto de faturamento do MEI e simplificar algumas obrigações fiscais.
O anúncio ocorreu na data de ontem (13) e foi batizado de Prospera MEI, o pacote foi apresentado pelo presidente Lula e por integrantes da equipe econômica. A iniciativa reúne medidas para aliviar dívidas e facilitar o acesso a recursos para quem quer investir e expandir o próprio negócio.
- O Brasil tem 17,56 milhões de MEIs ativos, dos quais mais de 3,6 milhões têm pendências com a União. Cerca de 4,1 milhões também estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), o que evidencia a vulnerabilidade de parte do segmento.
Parte das propostas ainda depende da aprovação do Congresso Nacional, enquanto outras seguem em elaboração pelo governo.
Entenda abaixo o que foi anunciado, quem se beneficia e o que falta para que as medidas saiam do papel.
O que prevê o pacote?
O governo apresentou cinco medidas principais:
- 💳 Perdão de dívidas tributárias: para MEIs com débitos inscritos na Dívida Ativa da União;
- 🤝 Renegociação de dívidas bancárias:por meio do programa Desenrola 3.0;
- 💰 Criação do PixMEI: com apoio financeiro de até R$ 5 mil;
- 📈 Aumento do limite de faturamento: para MEIs;
- 🧾 Dispensa de nota fiscal: em determinadas operações.
O pacote também prevê medidas para ampliar oportunidades de negócios para pequenos empreendedores e reduzir exigências burocráticas.
Quem poderá ser beneficiado?
Apesar de o pacote também mencionar empresas do Simples Nacional, a maioria das medidas anunciadas é voltada aos MEIs.
O perdão das dívidas tributárias, por exemplo, foi desenhado para os microempreendedores que possuem débitos inscritos na Dívida Ativa da União. A proposta de renegociação de dívidas bancárias também tem foco nesse grupo.
O mesmo ocorre com o aumento do teto de faturamento e a possibilidade de contratação de um segundo funcionário.
➡️ Empresas enquadradas como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP) também podem ser impactadas por medidas de simplificação e por iniciativas voltadas ao ambiente de negócios.
Quais dívidas poderão ser perdoadas e quem terá direito?
A principal medida do pacote é o envio ao Congresso Nacional de um Projeto de Lei Complementar (PLP) que prevê o perdão integral de dívidas tributárias de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União.
- 🔎 Isso significa que nem todo débito em atraso será automaticamente perdoado. A dívida precisa ter passado pelas etapas administrativas de cobrança e ter sido formalmente inscrita na dívida ativa. (saiba mais abaixo)
A proposta pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de microempreendedores e eliminar débitos que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões.
De acordo com o governo, o projeto foi elaborado após avaliações da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apontarem que grande parte desses débitos possui baixa perspectiva de recuperação.
Durante o anúncio, o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira, afirmou que o endividamento dos microempreendedores se agravou nos últimos anos.
“Especialmente depois da pandemia, o nível de endividamento dos microempreendedores individuais aumentou muito. Nós tentamos trabalhar muito para reduzir esse endividamento ao longo dos últimos anos […] mas chegamos à conclusão que ou o Estado brasileiro perdoa a dívida dos MEIs, ou a gente não vai vencer esse mal terrível”, declarou.
A proposta ainda depende da aprovação do Congresso. O texto ainda será analisado pelos parlamentares e poderá sofrer alterações durante a tramitação.
O que é a Dívida Ativa da União?
A Dívida Ativa da União (DAU) reúne débitos que pessoas físicas e empresas possuem com o governo federal e que não foram pagos dentro do prazo previsto.
Quando a cobrança administrativa não resulta no pagamento, a dívida pode ser inscrita nesse cadastro oficial. A partir desse momento, a cobrança passa para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que pode adotar medidas administrativas e judiciais para recuperar os valores.
Entre os débitos que podem ser inscritos estão:
- impostos e contribuições federais não pagos;
- juros, multas e outras obrigações financeiras devidas à União.
A inscrição pode levar a protestos, dificuldades para obter crédito e ações judiciais de cobrança.
O projeto do governo prevê o perdão das dívidas inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, incluindo os valores principais, juros, multas e encargos legais.
O que é o ‘Desenrola 3.0’ ?
O governo também anunciou uma nova etapa do Desenrola voltada exclusivamente aos MEIs. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, esse público acumula cerca de R$ 6 bilhões em dívidas bancárias.
- 📎 A proposta prevê que o governo compre essas dívidas dos bancos, que deverão oferecer descontos de pelo menos 90% para participar do programa. As instituições que concederem os maiores abatimentos terão prioridade.
Nesta primeira etapa, a negociação será feita diretamente entre o governo e os bancos. Por isso, os MEIs não precisam tomar nenhuma providência. A expectativa é reduzir o peso das dívidas e facilitar a retomada do acesso ao crédito.
Como receber até R$ 5 mil do ‘PixMEI’?
Outra medida que chamou atenção foi o anúncio do PixMEI. A proposta prevê a concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios.
- 💵 O recurso será não reembolsável. Ou seja, não precisará ser devolvido pelo beneficiário
O dinheiro poderá ser usado na compra de equipamentos e ferramentas de trabalho ou na ampliação da estrutura do negócio. A proposta também prevê suporte técnico aos empreendedores, com participação de parceiros como o Sebrae.
O governo ainda não informou quando a iniciativa será lançada, quantos empreendedores serão atendidos, quais serão os critérios para participar, nem qual será o orçamento destinado ao programa.
Por isso, neste momento, não há inscrições abertas nem prazo para solicitar o benefício.
Qual será o novo teto de faturamento?
Outra frente do pacote envolve uma proposta já em tramitação no Congresso Nacional. O texto prevê o aumento do teto anual de faturamento do MEI, que atualmente é de R$ 81 mil.
Pela proposta defendida pelo governo, o limite passaria para:
- R$ 110 mil em 2027;
- R$ 140 mil em 2028.
O projeto também permite que o MEI contrate um segundo funcionário.
A proposta busca permitir que pequenos negócios cresçam sem precisar sair imediatamente da categoria por ultrapassar o teto de faturamento.
Hoje, quando o empreendedor ultrapassa o limite permitido, pode ser obrigado a migrar para outro regime empresarial, sujeito a novas regras e obrigações.
Em quais situações o MEI poderá deixar de emitir nota fiscal?
O governo também anunciou um decreto para dispensar os MEIs da emissão de nota fiscal nas vendas de produtos e na prestação de serviços para pessoas físicas.
A medida foi apresentada como uma forma de reduzir burocracias e evitar novas exigências relacionadas à implementação da reforma tributária.
- ⚠️ O anúncio não altera as obrigações já existentes em negociações realizadas com pessoas jurídicas, que continuam sujeitas às regras fiscais específicas.
O que ainda precisa acontecer para as medidas valerem?
As propostas anunciadas estão em diferentes etapas e ainda não têm data para entrar em vigor.
- O perdão das dívidas tributárias depende da aprovação de um Projeto de Lei Complementar (PLP) pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Esse tipo de proposta exige maioria absoluta: pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Depois, o texto segue para sanção presidencial.
- O aumento do teto de faturamento do MEI e a autorização para contratar um segundo funcionário também dependem da aprovação do Congresso.
- Já o PixMEI ainda está em fase de elaboração. O governo precisa definir as regras do programa antes de informar quando ele será lançado e como os empreendedores poderão solicitar o benefício.
Assim, apesar do anúncio, as medidas ainda precisam avançar em etapas legislativas ou administrativas para começar a valer.
Fonte: G1

