Falta fôlego para a recuperação econômica do Brasil

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Falta fôlego para a recuperação econômica do Brasil

Crise política e incerteza sobre reformas fazem projeção para PIB de 2017 cair abaixo de 1%

A esperada recuperação da economia depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff não chegou, e os efeitos da crise atual serão sentidos pelos brasileiros em 2017. Os economistas apostam que o Brasil não crescerá 1% no ano que vem, segundo a pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC), divulgada ontem. No auge da euforia com a mudança do governo, em junho deste ano, as apostas eram de 1,36% de expansão. O otimismo foi maior do que a capacidade do governo de Michel Temer de recolocar rapidamente o país na trilha da recuperação econômica.

A melhora depende de reformas, afirmam analistas. O foco não é mais apenas a proposta de emenda constitucional (PEC) que cria um teto para os gastos e que será votada em primeiro turno no Senado hoje. Está na mira o andamento das mudanças na Previdência. Há uma preocupação de que a atual crise política dificulte a aprovação da reforma no Congresso. Os analistas também se preocupam com os efeitos na popularidade do presidente Temer após o episódio da tentativa do Congresso de aprovar a anistia para o caixa dois em eleições passadas.

— Os riscos são fundamentalmente internos nessa nova rodada de crise política — disse o ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, para quem o otimismo dos colegas na época do impeachment foi exagerado.

A avaliação, hoje, é que a influência negativa de 2016 sobre o próximo ano, o chamado carregamento (carry over), será pior que o esperado. A projeção para o crescimento em 2017 caiu de 1% para 0,98%, segundo a pesquisa do BC. Para 2016, a expectativa passou de uma recessão de 3,4% para 3,49%.

Já os investimentos, o principal vetor de crescimento esperado a partir de janeiro, voltarão em ritmo bem menor que o esperado, já que os juros também tendem a cair mais lentamente. Na rabeira, aparece o consumo, que ainda vai demorar para reagir em um ambiente de endividamento elevado das famílias e desemprego em ascensão.

Está certo para os economistas que a retomada da economia brasileira não será em “V”, ou seja, uma queda seguida de alta. A figura esperada para o futuro próximo é um “L”: uma estabilização da atividade com um tempo mais longo no patamar inferior. A demora ou não dependerá da volta do investimento. E para o empresário voltar a apostar no país, é preciso clarear algumas incertezas.

André Coelho

Fonte – O Globo

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