Dieese pesquisa Home Office em Bancos

Brasil perde cinco posições no ranking de desenvolvimento humano da ONU
15 de dezembro de 2020
MPT emite nota técnica que considera Covid-19 doença do trabalho
16 de dezembro de 2020
Brasil perde cinco posições no ranking de desenvolvimento humano da ONU
15 de dezembro de 2020
MPT emite nota técnica que considera Covid-19 doença do trabalho
16 de dezembro de 2020

Os resultados da pesquisa mostram que as negociações que estamos realizando banco a banco – a exemplo dos acordos já aprovados no Bradesco, Itaú e BB – estão contemplando as maiores preocupações dos bancários

Estudo ouviu nacionalmente 8.560 bancários e bancárias, de bancos públicos e privados. Resultados reforçam a importância de regulamentar, através de acordos negociados entre representantes dos trabalhadores e dos bancos, o teletrabalho.

O Dieese divulgaram os resultados de uma extensa e detalhada pesquisa, que ouviu 8.560 bancários de todo o país, sobre o home office na categoria. O objetivo do estudo foi conhecer as condições de trabalho em home office: avaliar o fornecimento de equipamentos pelos bancos, jornada de trabalho, o impacto na saúde, na conciliação do trabalho com tarefas domésticas e na relação com familiares, e também as prioridades para a negociação com os bancos.

Os resultados da pesquisa mostram que as negociações que estamos realizando banco a banco – a exemplo dos acordos já aprovados no Bradesco, Itaú e BB – estão contemplando as maiores preocupações dos bancários: ajuda de custo, controle de jornada, fornecimento de equipamentos e mobiliário adequado, e impactos na saúde.

A representação da categoria bancária, mais uma vez, esteve na vanguarda da luta em defesa dos trabalhadores quando assegurou a transferência de boa parte da categoria para o home office na pandemia, sobretudo em relação ao grupo de risco para a Covid-19. E também ao regulamentar esta modalidade de trabalho para o pós-pandemia, que com certeza estará cada vez mais presente nos bancos, uma vez que os mesmos identificaram a redução dos custos que foi proporcionada.

Queda de despesas para os bancos x Aumento de despesas para os bancários
Em apenas três itens selecionados entre as despesas administrativas dos bancos (água, luz e gás; segurança; e vigilância e viagens), houve uma economia, no 1º semestre do ano, de R$ 276 milhões, valor que pode ser ainda maior, uma vez que algumas despesas não são destacadas em separado nas notas explicativas dos balanços.

Por outro lado, 78,6% dos bancários que responderam a pesquisa apontaram o aumento da conta de energia elétrica. O gasto com supermercado aumentou para 72,0% dos(as) respondentes, e a despesa com gás de cozinha, para 41,6%. Muitos (32,1%) precisaram adquirir ou melhorar planos de internet para trabalhar de casa.


A pesquisa deixa claro o que estamos enfatizando nas negociações: os custos do trabalho não podem ser jogados no colo do trabalhador enquanto o banco economiza nas suas despesas.

Jornada
A pesquisa revelou que para 58,9% dos bancários a jornada efetivamente trabalhada em home office permaneceu igual a presencial; aumentou muito para 13,6%; aumentou um pouco para 22,0%; diminuiu um pouco para 4,2% e diminuiu muito apenas para 0,7%. Quanto à forma de controle da jornada, 50,7% afirmaram que o banco realizava registro eletrônico de ponto; 32,3% declararam que não havia qualquer tipo de controle e 16,6% marcaram a opção “outros”.

Equipamentos, ergonomia e saúde
Sobre o fornecimento de equipamentos, 32,5% dos bancários responderam que não receberam nenhum equipamento do banco. No recorte por bancos, chama atenção o Santander, que ainda não aceitou negociar acordo de teletrabalho com o movimento sindical, e cujos 50,1% dos pesquisados não receberam qualquer equipamento. Já no BB – que fechou acordo recentemente prevendo o fornecimento de equipamentos, mas que ainda não entrou em vigor – 54,4% responderam não ter recebido nenhum equipamento.


A avaliação dos pesquisados quanto à estrutura para o trabalho demonstrou que a pior situação era a dos equipamentos de ergonomia (apoios para antebraços, pulsos e pés, suporte de ajuste de altura para monitores, entre outros), considerados muito ruins por 22% e ruins por 23%. Para 31,4% dores musculares já existiam antes e continuaram depois do home office, mas, para 24,9%, surgiram com o teletrabalho, o que está diretamente ligado às condições nas residências, como o uso de mesas e cadeiras incompatíveis com o trabalho e falta de equipamentos de ergonomia.

Em todos os acordos negociados coletivamente – que oferecem muito mais garantias que acordos individuais prejudiciais que alguns bancos tentam impor aos trabalhadores em home office, como é o caso do Santander em São Paulo, que não paga sequer ajuda de custo e só fornece notebook – o fornecimento de equipamentos e cadeira adequados é um ponto fundamental. Não estamos falando somente de oferecer ferramentas de trabalho para o bancário exercer suas funções, mas principalmente de condições adequadas de trabalho para que ele não adoeça.

Pós-pandemia
Sobre o retorno ou não ao trabalho presencial no pós-pandemia, 1% não respondeu, para 3% é indiferente, 26% gostariam de retornar ao trabalho presencial, 28% preferem seguir em home office todos os dias, e 42% optariam por um regime de trabalho misto, mesclando home office e presencial.


O teletrabalho é uma realidade que estará cada vez mais presente na nossa categoria e, de acordo com a pesquisa, é um desejo de uma parcela expressiva dos bancários, sendo a maior parte dela optante por um regime misto. Estes dados reforçam que o Sindicato e demais entidades representativas estão no caminho certo ao buscar negociações coletivas que regulamentem essa modalidade de trabalho, assegurando condições de trabalho adequadas, respeito à jornada, à saúde, e que os custos do trabalho não sejam jogados no colo do trabalhador. (Fonte: Diesse)


Os comentários estão encerrados.