Bancos veem piora na situação financeira das famílias, diz BC

FGTS poderá ser usado em todos os imóveis até R$ 2,25 milhões
27 de novembro de 2025
CNH sem autoescola: governo já tem data para lançar lei que beneficiará milhões de brasileiros
30 de novembro de 2025
FGTS poderá ser usado em todos os imóveis até R$ 2,25 milhões
27 de novembro de 2025
CNH sem autoescola: governo já tem data para lançar lei que beneficiará milhões de brasileiros
30 de novembro de 2025

Bancos veem piora na situação financeira das famílias, diz BC

As instituições financeiras passaram a enxergar uma piora na saúde financeira das famílias, segundo a Pesquisa de Estabilidade Financeira do BC (Banco Central) referente ao quarto trimestre de 2025, divulgada nesta quinta-feira (27).
O levantamento mostra que os bancos estão mais preocupados com o endividamento e com a capacidade de pagamento das famílias nos próximos meses.

Aumento da percepção de alta na alavancagem das famílias e empresas, o que pode impulsionar ainda mais a inadimplência”, diz o texto.

Pelo texto, o grupo “inadimplência e atividade” subiu e se tornou um dos três principais fatores de preocupação para o setor financeiro, atrás apenas do risco fiscal.

Quando perguntadas qual é o risco mais importante para os próximos três anos, 26% das instituições apontaram diretamente o risco de inadimplência — uma alta 10% frente aos levantamentos anteriores.

Quando se considera o conjunto das três respostas possíveis por instituição, o risco também cresce, passando de 0,55 para 0,62 citações em média — sinal de que o alerta sobre as famílias se espalhou e ganhou peso no sistema financeiro.

O relatório também indica que os bancos avaliam que o crédito vem crescendo mais devagar, enquanto as famílias e as empresas estão mais endividadas. No ciclo econômico, a maioria das instituições classifica o momento atual como de contração, ou seja, de economia mais fraca.

Na quarta-feira (26), o BC divulgou que o comprometimento de renda das famíliasdisparou e alcançou o maior nível da série histórica. O indicador chegou a 28,8% em setembro, avanço de 0,2 ponto no mês e 1,6 ponto em 12 meses. Só com pagamento de juros, as famílias comprometem 10,23% de tudo o que ganham.

O número é pior do que quando o governo lançou o Desenrola, programa voltado para pessoas físicas liquidarem dívidas, em julho de 2023, o comprometimento estava em 27,3%.

O endividamento das famílias também avançou. Pela série do BC, a relação entre o estoque de dívidas e a renda acumulada dos últimos 12 meses subiu para 49,1% em setembro, após registrar 48,95% em agosto e 48,64% em julho, e se tornou o maior da série em três anos.

Ciclo econômico segue fraco e contribui para o aperto das famílias

A maioria das instituições classifica o momento atual do ciclo econômico como de contração, o que significa atividade mais fraca e cenário menos favorável para renda e consumo — fatores que atingem diretamente as famílias mais endividadas.

De acordo com o BC, comparado à pesquisa anterior realizada em agosto, a avaliação das instituições financeiras pesquisadas sobre os riscos à estabilidade financeira para os três próximos anos é de risco em quatro frentes:

  • inadimplência e atividade (alto endividamento num ambiente de taxas de juros elevadas apontam para aumento de inadimplência),
  •  fiscal (preocupações com a sustentabilidade da dívida pública e impactos do fiscal na política monetária),
  • cenário internacional (incertezas principalmente quanto aos efeitos das medidas tarifárias dos EUA),
  • e riscos operacionais (relacionado à crescente digitalização do SFN)

No entanto, apesar da piora nos indicadores ligados às famílias, o BC afirma que a confiança na estabilidade do sistema financeiro continua alta.

A maior parte das instituições recomenda manter o ACCPBrasil (Adicional Contracíclico de Capital Principal) em 0%, por entender que o sistema permanece sólido, mesmo com o aumento dos riscos vindos do endividamento das famílias.

“O índice de confiança na estabilidade do SFN segue elevado e com aumento na margem em relação ao período anterior; e a maioria dos respondentes espera e sugere que o valor do ACCP Brasil seja mantido”, destacou o BC.
Fonte: CNN

Os comentários estão encerrados.