
Juros altos acendem alerta para onda de inadimplência no Brasil
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29 de maio de 2026O aumento do acesso ao crédito, somado ao consumo imediato e à falta de educação financeira, tem levado cada vez mais jovens brasileiros ao endividamento já nos primeiros anos da vida adulta.
Segundo Thiago Godoy, educador financeiro e apresentador da Resenha do Dinheiro, o principal impacto do endividamento precoce está no tempo perdido para construir patrimônio.
“O ponto mais caro desse processo é o tempo que a dívida rouba do jovem. Ele entra na vida adulta já sufocado financeiramente, sem conseguir construir reserva, investir ou conquistar qualquer tipo de estabilidade”, afirma.
A construção patrimonial acontece de forma gradual e depende diretamente do tempo e das condições financeiras, analisa o apresentador.
Godoy afirma que o cenário atual é diferente do vivido por gerações anteriores, principalmente pelo acesso facilitado ao crédito.
“Hoje qualquer pessoa consegue abrir conta, ter cartão de crédito e fazer compras pelo celular. O consumo acontece de maneira muito rápida, e o impacto financeiro vem só depois”, diz.
Dados do Relatório Cidadania Financeira do Banco Central ajudam a dimensionar o cenário. Segundo o levantamento, o número de jovens endividados praticamente dobrou em oito anos, passando de 13,7 milhões em 2016 para 27,6 milhões em 2024.
O cartão de crédito aparece como a modalidade mais utilizada pelos jovens, enquanto o uso de empréstimos e crédito consignado também avançou nos últimos anos.
A especialista em finanças Simone Santolin explica que, embora o acesso a bancos digitais, crédito e investimentos tenha aumentado nos últimos anos, conceitos básicos como orçamento, juros, reserva de emergência e planejamento de longo prazo ainda são pouco discutidos nas escolas e até no ambiente familiar.
Para a especialista, o endividamento precocecria um ciclo que dificulta a formação do patrimônio na fase em que o tempo poderia trabalhar a favor dos investimentos.
Quanto antes a pessoa começa a guardar dinheiro, maior tende a ser o impacto positivo no futuro. Mas quando a renda já começa comprometida com dívidas, fica mais difícil construir estabilidade financeira”, afirma.
Thiago Godoy também chama atenção para os impactos emocionais causados pela inadimplência crônica.
“O estresse financeiro afeta a capacidade de tomar decisões conscientes. A pessoa fica emocionalmente pressionada, mais impulsiva e com menos autocontrole. Isso acaba virando uma bola de neve”, analisa.
Apesar do cenário preocupante, Santolin propõe hábitos que podem ajudar a evitar a inadimplência e melhorar a relação dos jovens com o dinheiro.
Saber exatamente quanto ganha e quanto gasta é o primeiro passo. Criar o hábito de guardar parte da renda, mesmo que pouco, e usar o cartão de crédito com responsabilidade fazem diferença no longo prazo”, aconselha.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
Fonte: CNN Brasil

