Juros altos acendem alerta para onda de inadimplência no Brasil

Bancos transferem R$ 5,7 bi de valores esquecidos para o Desenrola
28 de maio de 2026
Endividamento jovem compromete formação de patrimônio
29 de maio de 2026
Bancos transferem R$ 5,7 bi de valores esquecidos para o Desenrola
28 de maio de 2026
Endividamento jovem compromete formação de patrimônio
29 de maio de 2026

Juros altos acendem alerta para onda de inadimplência no Brasil

O Brasil pode estar se aproximando de uma virada perigosa no ciclo de crédito. Com juros altos por mais tempo, empresas endividadas e famílias com renda comprometida, gestores avaliam que qualquer piora no mercado de trabalho pode abrir espaço para uma onda relevante de inadimplência.

O alerta se soma a um quadro externo turbulento, marcado por pressões inflacionárias nos Estados Unidos, incerteza sobre os próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano, e dúvidas sobre os impactos da inteligência artificial na produtividade e nos salários.

O cenário foi debatido no AfterMarket, do Stock Pickers, com apresentação de Lucas Collazo. Participaram Andrew Reider, da gestora WHG, e Christian Keleti, da Alpha Key, além de Bruno Serra, gestor da estratégia Janeiro, da Itaú Asset, como convidado especial.

O ponto de partida da discussão foi a abertura dos juros longos nos Estados Unidos — ou seja, a alta nas taxas dos títulos públicos americanos de prazo mais longo, que servem de referência para ativos no mundo inteiro.

Serra reconheceu pressões de curto prazo, como petróleo, tarifas comerciais e restrições à imigração, mas ponderou que o mercado de trabalho americano segue comportado, com salários crescendo abaixo do esperado e produtividade em alta.

A dúvida sobre o efeito da IA na inflação

“Será que, de fato, apesar de aumentar alguns custos, a inteligência artificial otimiza a mão de obra? Será que isso não vai ser decisivo para manter a inflação mais baixa?”, questionou Serra.

“Eu voltei com uma casinha para a dúvida, talvez focada mais em uma inflação de serviços que eu tenho dificuldade de explicar, porque o salário está tão tranquilo nos Estados Unidos.”

O gestor lembrou ainda que serviços e moradia representam cerca de dois terços do índice de inflação americano, e que esses componentes caminham em direção à queda.

A parcela de bens industriais — em que a pressão de insumos como memória e eletrônicos é mais visível — corresponde a apenas 20% do total. “Eu trouxe mais dúvidas do que grandes convicções aqui”, admitiu Serra.
Fonte: Infomoney

Os comentários estão encerrados.