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Vale a pena optar pelo saque anual do FGTS?

Trabalhadores terão de fazer uma série de ponderações antes de optar pela retirada de parte dos valores no mês do seu aniversário

A perda do direito de sacar o valor depositado no FGTS ao ser demitido sem justa causa, ao menos por dois anos, pode deixar o trabalhador em dúvida sobre se vale a pena aderir ao saque anual dos recursos no mês do aniversário.

Isso porque com o alto desemprego no país e uma economia que patina para se recuperar o risco de ser demitido sem justa causa é maior.

Além disso, o aumento do retorno do valor depositado no fundo, que promete ser, a partir de agora, similar à poupança, é um reforço para considerar o FGTS como uma reserva em caso de desemprego.

Então, nesse cenário, é melhor deixar o dinheiro depositado no fundo e não contar com a sorte? Para consultores, cada caso tem de ser analisado de forma diferente, e a decisão não depende apenas da demanda pela profissão do trabalhador e situação do empregador.

A opção pelo saque dos recursos a cada ano deve ser tomada levando em conta também o volume e tipo de dívidas que o trabalhador tem, se tem ou não uma reserva de emergência e se o trabalhador já possui o hábito de poupar e pode correr mais riscos.

É necessário ponderar que o trabalhador demitido sem justa casa ainda receberá a multa de 40% sobre o valor total pago desde que começou a trabalhar, independente do saque dos valores ou da opção pelo saque-aniversário.

Ou seja, de qualquer forma, o trabalhador terá uma reserva ao ficar desempregado, contanto que a regra da multa não seja modificada. É necessário, portanto, calcular a multa que irá receber e verificar se o valor é suficiente para continuar a cumprir obrigações em caso de perda de renda antes de optar ou não pelo saque-aniversário.

O que pesar na decisão

Primeiro, especialistas aconselham a analisar dívidas. Contratou empréstimos baratos e está conseguindo pagá-los em dia? Em caso afirmativo, talvez seja melhor deixar o dinheiro depositado no fundo para pagá-las caso fique desempregado, diz o professor de finanças da PUC-SP, Fábio Gallo. “Essa opção deve ser seguida principalmente por quem não está acostumado a poupar e não tem uma reserva de dinheiro para o caso de perda de renda”.

A retirada anual vale mais a pena para quem está “estourado” em modalidades de crédito mais caras, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, diz o planejador financeiro Roberto Agi. “Nesse caso, mesmo com o aumento da rentabilidade do fundo, ele estará pagando muito mais juros nessas dívidas. Portanto, é melhor quitá-las”.

Um ponto de atenção nessa opção é de que o dinheiro do FGTS vai dar acesso a empréstimos mais baratos, de acordo com as regras anunciadas. Eles tomam como garantia os recursos depositados no fundo. Ou seja, no caso de desemprego o banco toma os valores para pagar a dívida.

Se o empréstimo vai compensar ou não vai depender das condições oferecidas pelos bancos, mas essa nova modalidade promete ser tão ou mais barata que um crédito consignado, o que pode dispensar a opção pelo saque anual para quem está pagando dívidas caras.Veja também

No caso de quem não tem uma reserva de emergência, pode valer a pena deixar os recursos depositados no fundo. “Com o aumento da rentabilidade do fundo, ele tende a ganhar de outras aplicações de curto prazo, como fundos DI e títulos de renda fixa, sobre os quais incidem uma alíquota de 22,5% de Imposto de Renda”, diz Gallo.

A ponderação a ser feita, nesse caso, é de que enquanto uma reserva de emergência permite tirar o dinheiro a qualquer tempo, a reserva no fundo só valeria para caso de desemprego, ressalta Agi. “O trabalhador tem de ponderar que diversos imprevistos e oportunidades podem exigir a retirada imediata do dinheiro, e que seria bom ele ter uma poupança fora do fundo também”.

Já para quem é jovem ou tem uma situação financeira confortável e já investe em outras aplicações pode ser interessante retirar o dinheiro anualmente. Nesse caso, o objetivo deve ser aplicar dinheiro no longo prazo, tomando mais risco em um momento de Selic baixa, dizem os especialistas.

Com a perspectiva de uma reforma da Previdência, Agi lembra que é ainda mais essencial pensar em uma previdência complementar ao INSS. “Para quem pensa em um pé de meia no futuro, deixar o dinheiro aplicado no fundo não é suficiente”.

Como vai funcionar

A nova regra para retirada do dinheiro, o chamado saque-aniversário, foi anunciada pelo governo federal na semana passada. Os interessados em migrar para esta modalidade terão de comunicar a decisão à Caixa a partir de outubro.

A migração para o saque anual não é obrigatória. Caso o cotista não comunique à Caixa o interesse em migrar, permanecerá na regra atual. Ou seja: só poderá sacar os recursos para dar como entrada em financiamentos imobiliários e quando for demitido sem justa causa, entre outras condições.

Fonte – Revista Exame

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