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25 de maio de 2026O professor e psicólogo Felipe Faleiros, doutor em Psicologia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB-MS), apresentou um panorama alarmante sobre o adoecimento mental na categoria bancária.
O especialista iniciou sua exposição mostrando dados sobre afastamentos do trabalho no Brasil. Segundo ele, entre 2024 e 2025 houve crescimento de 15% nos casos, índice que pode ser ainda maior devido às subnotificações. “Saúde é qualidade de vida. Temos que falar de prevenção e ação. As empresas precisam acolher esses trabalhadores. É preciso pensar em como recuperar a saúde das pessoas. O adoecimento é consequência da forma como o trabalho está organizado”, afirmou.
Felipe também criticou o que chamou de “mitificações” propagadas pelos bancos, como autonomia na gestão do tempo, aprendizado contínuo, meritocracia e flexibilidade de horários.
“A realidade é marcada pela ausência de limites de jornada, acúmulo de funções, metas inatingíveis e sobrecarga extrema, fatores que geram perda da identidade profissional. O bancário tornou-se apenas um vendedor de produtos e vive sob vigilância constante e ameaças de demissão”, criticou.
O psicólogo lembrou ainda que, mesmo com lucros crescentes, os bancos continuam fechando agências e reduzindo postos de trabalho.
Matriz do assédio moral
O palestrante apresentou dados da pesquisa que apontam o estresse ocupacional e estrutural imposto pelos bancos como parte de uma “matriz do assédio”, responsável pelo adoecimento dos trabalhadores.
“Há um estigma do descarte, com a marginalização do trabalhador adoecido”,6 afirmou. Segundo ele, quando uma agência é fechada, os funcionários transferidos passam a enfrentar ainda mais sobrecarga e insegurança.
“Os bancos tentam se colocar como entidades desassociadas da sociedade. Mas a culpa não é do indivíduo, e sim das empresas”, ressaltou.
De acordo com a pesquisa, as principais causas de afastamento na categoria são transtornos de ansiedade e quadros depressivos prolongados, que podem evoluir para transtornos afetivos mais graves, agravando ainda mais o adoecimento laboral.
Exploração sem distinção
Felipe Faleiros revelou que a incidência média de transtornos mentais na população brasileira gira em torno de 6%. Entre os bancários, porém, o índice ultrapassa 13%.
Outro dado destacado pelo pesquisador é que não há diferença significativa entre homens e mulheres no adoecimento no setor financeiro. “Os bancos estão explorando por igual”, afirmou.
Segundo a pesquisa, 83,9% dos entrevistados trabalham integralmente no regime presencial. Do total, 36,9% já foram afastados por transtornos psíquicos e 19,6% receberam diagnóstico psiquiátrico formal.
Embora os casos de doenças mentais tenham aumentado, a LER/Dort continua sendo uma das principais causas de afastamento.
“As questões psíquicas tomaram uma dimensão absurda”, alertou, ao criticar o “silêncio institucional” e a “cultura do medo” presentes no setor bancário. “Muitos trabalhadores evitam apresentar atestados6 médicos por medo deu demissão”, explicou.
O palestrante também relatou o impacto emocional vivido pela categoria.
“A sensação é a de um ‘casco de refrigerante vazio’. O trabalhador não encontra respaldo da empresa e evita até pedir ajuda aos colegas”, afirmou.
Os números apresentados pela pesquisa reforçam a gravidade do quadro: 59,4% consideram crítico o ambiente de trabalho; 58,4% avaliam negativamente as relações psicossociais; 67,2% criticam a organização do trabalho; 43,3% apresentam estresse crônico; 44,5% relatam danos físicos e psicológicos e mais de 61% sentem falta de reconhecimento5 profissional.
“Os níveis de adoecimento são ainda mais severos entre os trabalhadores da linha de frente, onde há maior pressão por desempenho e cobrança comportamental”, observou.
Felipe destacou ainda que a chamada “lua de mel” entre o bancário e a empresa dura pouco tempo.
“Ela não passa de um ano”, disse. Segundo a pesquisa, quase 90% da categoria continua trabalhando mesmo apresentando sintomas de adoecimento, enquanto mais da metade reconhece precisar de ajuda profissional.
“Mais de 64% realizam algum tipo de tratamento, mas mais de 65% estão sem acompanhamento médico adequado”, acrescentou.
Para o especialista, é necessário construir uma nova cultura organizacional. “É preciso investir em comunicação de qualidade, acolhimento aos trabalhadores adoecidos, romper o silêncio e fortalecer redes de confiança, como os sindicatos”, defendeu.
Fonte: Seeb Rio

