
Como o PIX virou atrativo para golpes e sequestros relâmpagos
6 de setembro de 2021
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6 de setembro de 2021A crise política não é um detalhe particular nesse cenário que aperta o bolso dos brasileiros. Com a confiança em baixa, empresários tendem a investir menos e a adiar contratações, alertam especialistas. O Boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de agosto, comprova que os reajustes ficam cada vez mais defasados perante a inflação, hoje pressionada especialmente pelos combustíveis, energia elétrica, alimentos e bebidas.
O estudo da Fipe indicou que 50,5% dos acordos e convenções coletivas no país firmados entre janeiro e julho envolveram correção abaixo da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até a data-base das categorias profissionais. O levantamento mostra que apenas 22,9% das negociações, no período, resultaram em ganhos reais (acima da inflação) e que 26,6% dos reajustes empataram com o INPC.O indicador subiu 5,01% no primeiro semestre do ano.
“O cenário político carrega a incerteza do período eleitoral e tem efeitos colaterais na economia. Esses fatores afetam o salário do trabalhador porque o empresário precisa ter segurança para contratar. Sem contratação, a demanda por vaga fica maior e o salário cai, mesmo quando o funcionário migra para outro emprego. A situação seria diferente se os poderes estivessem, por exemplo, em harmonia, de braços dados”, explica Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional de Comércio, Serviços e Turismo (CNC).
Na economia, a previsão é de piora no curto prazo. A partir de novembro, com o fim da estiagem, é possível que se comece a ver “a luz no final do túnel”, diz Bentes. O economista Cesar Bergo, sócio-investidor da Corretora OpenInvest, concorda que o desemprego recorde, ao aumentar a oferta de mão de obra, tem um efeito drástico no salário do trabalhador.
Não podemos também esquecer da ‘pejotização’, que deixou o trabalhador sem renda ao sair de um emprego (sem férias e sem FGTS). Mas o que o mercado está de olho é no ambiente de negócios, nas reformas tributária e administrativa e no desenrolar dos acertos entre Executivo, Legislativo e Judiciário”, ressalta Bergo.
Ramille Taguatinga, especialista em direito trabalhista do Kolbe Advogados e associados, reforça que, como a competição é expressiva, os salários na oferta de emprego tendem a ser mais baixos. “Se um candidato não aceitar, o seguinte irá aceitar”, explica. “Isso significa que a mão de obra está mais barata, mas a qualidade não mudou. As grandes empresas continuam a lucrar bastante, com despesa de pessoal muito menor. Para os trabalhadores, por outro lado, o resultado é nefasto: anos de dedicação, formação única e currículo extenso não são refletidos nos salários”, completa a especialista.
Sufoco no dia a dia
Segundo o economista Hugo Passos, com a crise sanitária, as empresas viram as receitas despencarem e os custos, nas alturas. Milhares de pessoas foram demitidas, por diversos motivos. “Quando a contaminação pelo coronavírus recuou, com a vacinação da população, as empresas começaram a recontratar, mas com salário mais baixo”. Com o cenário bastante desafiador para o Brasil e inflação acima de 9% em 12 meses, os ganhos de quem está empregado, caíram 23%, em média, e, em alguns casos, para quem entrou em novo emprego, a queda foi de 78%”, informou Passos.
A administradora Sabrina da Silva, de 27 anos,, conta que desistiu de seu último emprego, após um mês de trabalho, porque além do salário abaixo da média do mercado não correspondia às suas qualificações profissionais. “Como achei outro emprego que me pagaria melhor e teria mais benefícios, optei por sair”. Ela estranhou os procedimentos da contratação, já que, a princípio, não teve informação sobre o salário. “Só me disseram quando fui avisada de que havia sido aprovada no processo seletivo. Como queria muito sair de onde estava, acabei aceitando”.

