
Atenção: vendas sem solicitação acarretam demissões por justa causa
16 de junho de 2025
Sentença coletiva contra Bradesco poderá ser executada individualmente
16 de junho de 2025Levantamento de fundação aponta ainda relação entre o consumo exagerado de conteúdo digital e o aumento das tentativas de suicídio entre adolescentes
A crise global de saúde mental entre crianças e adolescentes chegou a um ponto alarmante, impulsionada pela expansão descontrolada das redes sociais. É o que revela o relatório anual da fundação internacional KidsRights, divulgado na quarta-feira (11/6), em parceria com a Universidade Erasmus de Roterdã, na Holanda.
Segundo o levantamento, um em cada sete jovens, com idades entre 10 e 19 anos, enfrenta algum tipo de transtorno mental. O dado, considerado preocupante pelos especialistas, é apresentado como um reflexo direto do uso problemático das mídias sociais, que vêm interferindo de maneira significativa no bem-estar emocional e na rotina diária dos jovens.
“O relatório deste ano é um alerta que não podemos mais ignorar. A crise de saúde mental entre nossas crianças atingiu um ponto crítico, exacerbada pela expansão descontrolada das mídias sociais, que privilegia o uso em detrimento da segurança”, afirmou Marc Dullaert, fundador e presidente da KidsRights.
Tentativas de suicídio
O Índice KidsRights, que avalia anualmente o comprometimento de 194 países com os direitos das crianças, identificou uma “correlação perturbadora” entre o uso excessivo das redes sociais e o agravamento de problemas de saúde mental. O documento também apontou uma relação preocupante entre o consumo exagerado de conteúdo digital e o aumento das tentativas de suicídio entre adolescentes.
A taxa global de suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de 6 por 100 mil entre jovens de 15 a 19 anos — um número que levanta um alerta sobre os riscos da exposição descontrolada ao ambiente virtual.
Apesar da gravidade do cenário, o relatório critica soluções radicais como a proibição total do acesso de menores às redes sociais, citando a medida adotada recentemente pela Austrália, que vetou o uso de plataformas digitais para menores de 16 anos. Segundo a KidsRights, medidas como essa podem violar direitos civis e políticos das crianças, especialmente no que diz respeito ao acesso à informação.
Em vez disso, o relatório recomenda uma abordagem mais equilibrada e abrangente, que leve em consideração tanto a proteção da saúde mental quanto a garantia de direitos fundamentais. A proposta inclui a oferta de conteúdo educativo, a promoção de ambientes digitais seguros e a inclusão de crianças em um debate construtivo sobre o uso responsável das tecnologias.
Desafios e oportunidades
O documento destaca que os avanços tecnológicos recentes “abriram uma caixa de Pandora de desafios e oportunidades”. Entre os benefícios, está o acesso facilitado à informação. No entanto, os riscos são inúmeros: cyberbullying, violência psicológica, exploração sexual, violência de gênero e desinformação são apenas alguns dos perigos enfrentados pelas novas gerações no ambiente virtual.
O relatório de 2025 da KidsRights surge como um apelo por ações coordenadas entre governos, empresas de tecnologia, educadores e famílias, na tentativa de conter uma crise que ameaça comprometer o futuro de milhões de jovens em todo o mundo.

