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2 de dezembro de 2024
DEZEMBRO LARANJA & VERMELHO
2 de dezembro de 2024O Banco do Brasil está entre os principais prejudicados em processos com “decisões aparentemente vendidas” em suposto esquema envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O apontamento é feito pela Polícia Federal, que investiga o caso.
De acordo com o inquérito policial, ao menos três processos que têm a instituição financeira como uma das partes, tiveram decisões que prejudicaram o banco em causas com valores milionários. Se somados, os prejuízos do banco chegam a R$214 milhões. Quando comparado, o valor está quase no mesmo patamar que o orçamento do município de Bonito em 2024, estimado em R$240 milhões, por exemplo.
Entre as ações consta processo de “cumprimento de sentenças” de uma empresa de calcário contra o Banco do Brasil, com valor de causa estipulado em R$34 milhões.
O g1 tentou contato com o Banco do Brasil mas não recebeu posicionamento até a última atualização desta reportagem.
O processo, conforme consta no site do TJMS, iniciou em 2014. Para a PF, houve ação do desembargador Sideni Soncini Pimentel junto ao advogado Félix Jayme, que é citado mais de duzentas vezes no inquérito policial e teria agido em outros casos envolvendo a venda de sentenças.
A suposta venda da decisão que condenou o Banco do Brasil a pagar os R$34 milhões teria iniciado em 2016, após o juiz da comarca de Bela Vista (MS) alegar “incompetência” para julgar o caso e indicar que o mesmo deveria ser julgado por juiz da comarca de Campo Grande.
Conforme a PF, a manifestação do juiz gerou um outro processo que foi analisado pelo TJMS. Nessa ação, o relator do processo foi o desembargador Sideni Soncini Pimentel, que “contrariou parecer da Procuradoria Geral de Justiça e julgou procedente” a decisão que declarou competente o juiz de direito da comarca de Campo Grande para “processar e julgar os autos”.
Paralelamente à ação do desembargador, a polícia identificou que o advogado Félix Jayme trocava informações sobre o processo com o dono da empresa de calcário que entrou com a ação contra o banco.
Prints de conversas obtidas pelos investigadores são, para a polícia, indícios de que o advogado também estava envolvido na venda da decisão judicial, já que ele indicou em mensagem de texto a hora e dia em que tal decisão estaria pronta. “Segunda estará pronta a decisão final da fixação definitiva de competência e marcou comigo as 10hs p checar” , escreveu Félix ao empresário.
A polícia entendeu que Félix Jayme queria “demonstrar que tinha acesso indevido ao desembargador Sideni Pimentel para obter decisões favoráveis”. Pelos honorários, conforme a PF, Felix Jayme receberia 250 hectares de uma fazenda.
Em outra ocasião, o empresário questiona Félix Jayme sobre o cronograma do processo e recebe como resposta: “Fui lá hoje, pública no diário amanhã e segunda vai para o juiz e ai deslancha a revisional. Assim o cronograma otimista, no caso juiz ouvir o banco, negar tutela e nós agravamos e julgar na turma, até final de novembro”.
O g1 não conseguiu contato com a defesa do desembargador Sideni Soncini Pimentel e com o advogado Felix Jayme.
Sideni Soncini Pimentel foi eleito presidente do TJMS para o biênio 2025-2026. O magistrado está afastado de suas funções desde o dia 24 de outubro, data em que foi deflagrada a operação Ultima Ratio, da Polícia Federal.
Fonte: G1

