Por que os bancos centrais estudam criar moedas digitais e o que os cidadãos ganham com isso

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Por que os bancos centrais estudam criar moedas digitais e o que os cidadãos ganham com isso

Com a popularização das criptomoedas, bancos centrais de diversos países estão estudando a implementação de uma moeda digital nacional. O que está por trás desse movimento? O 6 Minutos conversou com especialistas para entender o que vem por aí e como as pessoas pode se beneficiar.

“Os bancos centrais estão percebendo que a tecnologia está se espalhado e ficando fora do controle do Estado. Por isso, as autoridades estão se apressando para ter uma moeda digital própria, que pode ser controlada”, afirma Robson Gonçalves, professor de MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas).

No mercado financeiro, estas moedas são conhecidas como CBDCs (central bank digital currencies, que em português significa moedas digitais do banco central).

Segundo os especialistas, os bancos centrais começaram a olhar com mais atenção para as moedas digitais em 2019, quando o Facebook anunciou a criação de uma criptomoeda própria, chamada Libra – que deve ser lançada neste ano.

O que os países ganham com isso? “Existem interesses como a facilidade para os bancos centrais controlar melhor o sistema financeiro e a emissão monetária, além de entender com mais clareza a velocidade de movimentação do dinheiro”, afirma Rudá Pellini, co-fundador da Wise & Trust.

A possibilidade de desenvolver mecanismos mais precisos para rastrear as transações é uma grande vantagem para impedir crimes financeiros. “Considerando a tecnologia de hoje, seria mais difícil esconder dinheiro usando uma CBDC. As atividades ilegais gostam muito de dinheiro em espécie, que pode ser escondido em cofres ou embaixo do colchão, por exemplo”, afirma Gonçalves.

O controle, no entanto, só é possível para as moedas criadas pelos banco centrais. Com a implementação de CBDCs, nada muda em relação aos criptoativos que já existem no mercado, como o bitcoin.

Segundo o BIS (Banco de Compensações Internacionais, em português), conhecido como o banco central dos bancos centrais, a implementação de moedas digitais aumenta as opções de pagamentos aos cidadãos, pode facilitar pagamentos entre países, deixando a transação mais rápida e barata, tem potencial para ampliar a inclusão financeira e facilitar transações em períodos de crise.

O governo também ganharia financeiramente falando: o BC (Banco Central) brasileiro diz que a emissão de uma moeda digital iria baratear os custos de emissão e manutenção do numerário brasileiro. Hoje, o ciclo do dinheiro custa aproximadamente R$ 90 bilhões por ano ao país.

Apesar de facilitar a emissão de dinheiro com as CBDCs, Pellini acha difícil que os bancos centrais passem a emitir moeda indiscriminadamente. “A partir do momento que você tem acesso a outras moedas, o BC vai querer manter a moeda nacional forte. Dinheiro estável é aquele que tem emissão controlada”, afirma o especialista.

Por que uma pessoa física usaria a moeda estatal? A segurança pode ser um atrativo para os consumidores utilizarem a moeda, mas ainda não há muitas informações sobre o tema. “Para os consumidores, precisamos ver como as CBDCs vão ser implementadas, mas acredito que tende a ser benéfica pela segurança, já que existe um governo por trás da moeda”, afirma Vinicius Frias, CEO do Alter.

“Imagina se, com a criação de moedas nacionais digitais, os cidadãos tivessem a opção de escolher qual iriam usar. A responsabilidade do banco central seria de conseguir manter a moeda dele mais interessante para aquele grupo de indivíduos. A grande revolução vai ser como os bancos centrais vão lidar com esses ativos globais”, afirma Pellini.

Para aumentar o uso das moedas digitais pelas pessoas, os governos também vão precisar investir em inclusão digital. “Uma coisa depende da outra. O investimento em inclusão digital tem que ser feito para levar educação e aumentar canais de distribuição de informação”, afirma Leonardo Lima, professor dos cursos de blockchain Master da Escola de Negócios da PUC-Rio.

Quais países estão pensando sobre o assunto? Uma pesquisa do BIS mostra que 86% dos bancos centrais estão estudando a emissão de moedas digitais, 60% já experimentam a tecnologia de alguma forma e 14% estão na fase de projetos-piloto.

O Fed (Federal Reserve), dos Estados Unidos, estuda a emissão da moeda, além de países como Reino Unido, Suíça e Singapura.  A China saiu na frente e foi o primeiro país a implementar a novidade, que já está disponível aos cidadãos.

E o Brasil? No ano passado, o BC criou um grupo para estudar a implementação de uma moeda digital até 2022. O órgão diz que os países estão em busca de moedas digitais para ampliar as ofertas de meios de pagamentos, visando a inclusão financeira, por motivações de política monetária e para buscar uma interconexão no sistema financeiro.

“Apesar de ser difícil apostar na velocidade da digitalização, não existe uma grande dificuldade para criação de uma CBDC. Certamente o celular vai se tornar na carteira das pessoas no futuro e até 2022 é possível que o Brasil já tenha um protótipo de moeda digital em andamento. O sistema não vai ser implantado do dia para a noite”, afirma Gonçalves.

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