Plano coletivo tem reajuste três vezes a mais que índice ANS

AGU pede investigação sobre informações falsas contra o Banco do Brasil
25 de agosto de 2025
Estudo: 54% dos trabalhadores não conseguem manter salário até fim do mês
25 de agosto de 2025
AGU pede investigação sobre informações falsas contra o Banco do Brasil
25 de agosto de 2025
Estudo: 54% dos trabalhadores não conseguem manter salário até fim do mês
25 de agosto de 2025

Plano coletivo tem reajuste três vezes a mais que índice ANS

Os reajustes dos planos de saúde coletivos superam, em média, três vezes o índice autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os contratos individuais e familiares. Em 2024, enquanto os planos individuais tiveram aumento de 6,91%, as estimativas para os reajustes de contratos coletivos e empresariais variaram entre 18% e 25%.

Segundo o advogado especialista em ação contra planos de saúde, Elton Fernandes, essa diferença ocorre porque os planos coletivos não estão submetidos ao mesmo teto de reajuste aplicado aos individuais. “A lei é de 1998 e, à época, planos coletivos estavam destinados a contratos de médias e grandes empresas, pois as famílias estavam alocadas em contratos individuais e familiares. O legislador não imaginou o que ocorreria e é essa lacuna que faz com que tantos casos sejam levados para debate junto à Justiça”, relata.

Levantamentos de bancos como BTG Pactual e Itaú BBA mostram que operadoras aplicaram aumentos de dois dígitos para planos coletivos empresariais em 2025, como a Unimed Nacional, com 19,5%, a Hapvida, com 11,5%, a SulAmérica, com 15,23%, e a Bradesco Saúde, com 15,11%. Esses valores representam, em média, mais de três vezes o índice de 6,06% aprovado pela ANS para os planos individuais, que vigora de maio de 2025 a abril de 2026.

O aumento dos planos de saúde pode ser ainda maior para beneficiários de contratos coletivos por adesão. Em 2024, por exemplo, enquanto o reajuste médio dos planos empresariais ficou em torno de 12,8%, planos coletivos por adesão subiram mais de 25%, de acordo com o relatório “ANS Pricing X-Ray” da BTG Pactual.

Elton Fernandes explica, no entanto, que é possível buscar a Justiça para revisar reajustes aplicados acima dos índices da ANS. “Em muitos casos, a Justiça já reconhece que, se a operadora não consegue justificar tecnicamente por que está cobrando 25% ou mais de aumento, enquanto a ANS autoriza apenas 6%, o consumidor pode requerer o recálculo visando diminuir a mensalidade e até recuperar valores pagos indevidamente nos últimos anos”, ressalta o advogado .

Maioria dos beneficiários lida com reajustes acima dos dois dígitos

Segundo a ANS, em junho de 2025, o número de beneficiários dos planos coletivos empresariais chegou a 38.353.709, enquanto nos planos coletivos por adesão o total foi de 5.891.462. Esses contratos, nas modalidades empresariais e por adesão, têm reajustes definidos diretamente pelas operadoras, sem o teto anual imposto pela agência reguladora aos planos individuais e familiares – que atualmente reúnem 8.615.293 beneficiários.

Dados do BTG Pactual apontam que, em 2024, o reajuste acumulado dos planos coletivos fechou em 13,8%, e, em 2023, em 14,25%. A tendência de aumentos de dois dígitos se repete pelo quarto ano consecutivo, segundo a Contec Brasil. Entre as operadoras, a Amil reajustou 15,98% e a Care Plus, 18,2% para grupos de até 29 beneficiários, como pequenas e médias empresas (PMEs).

Fonte: Terra

Os comentários estão encerrados.