Pessoas de 30 a 49 anos representam metade de devedores do SPC

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Pessoas de 30 a 49 anos representam metade de devedores do SPC

Levantamento do SPC e do CNDL mostra que mulheres com idade entre 30 e 49 anos, moradoras da região Sudeste, são maioria dos inadimplentes no país. Juros elevados e discriminação delas no mercado de trabalho explicam os números.

Mulher, com idade entre 30 e 49 anos e moradora da região Sudeste. Este é o perfil típico das pessoas que se encontram inadimplentes no país em consequência da crise econômica, apontam dados da  Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Segundo os números das duas entidades, as mulheres representam 50,5% do total de brasileiros com dívidas em atraso. As pessoas na faixa etária de 30 a 49 anos também são as que mais devem: 32,1 milhões, no total, representando 51% do total de pessoas no cadastro negativo do SPC.

A região Sudeste, de acordo com o levantamento, têm o maior número de endividados, 26,96 milhões, o correspondente a 42% da população adulta. Em seguida, vem o Nordeste, com 17,58 milhões (43% da população adulta local) e o Sul, com 8,16 milhões (36%). Segundo Carlos Alberto Ramos, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), o principal fator que cria situações como essa são os juros altos dobrados nos cartões de crédito, modalidade de financiamento mais popular entre os brasileiros.

Segundo Ramos, é necessário que as pessoas sejam criteriosas em relação aos tipos de dívida que fazem. “Se eu me endividar para comprar uma casa ou para pagar a escola de um filho, tudo bem. O que não pode é se endividar para jantar fora, para viajar. Nesse caso, fica complicado”, observou.

De acordo com o professor, fatores socioculturais explicam o fato de as mulheres serem maioria entre os inadimplentes. Um deles é a desigualdade no mercado de trabalho. “A taxa de desemprego é maior entre elas, que também recebem salários menores. Elas sofrem uma série de preconceitos no mercado de trabalho que influenciam nisso”, analisou.

Para o terapeuta financeiro Jônatas Bueno, o mais alarmante é o fato de os devedores estarem justamente na faixa etária em que há mais pessoas no mercado de trabalho. Para Bueno, conter as dívidas exige sacrifícios que, muitas vezes, significam reduzir a qualidade de vida. “É preciso conferir se a renda disponível permite os gastos que estão sendo feitos, principalmente, quando se têm dívidas”, disse.

Aperto

Sônia Luce, de 48 anos, trabalha com serviços gerais no Aeroporto Internacional de Brasília e é beneficiária do programa Minha Casa Minha Vida. Ela mora com três dos cinco filhos e um neto. Segundo ela, as dívidas são frequentes, pois as despesas com a família são grandes e, mesmo com a ajuda do marido, a situação financeira é sempre apertada. Ela conta que, devido ao peso da fatura do cartão de crédito, o pagamento da conta de água sempre é feito com atraso. “Quem é mãe sempre tem dívidas, pois sustentar os filhos é caro”, afirmou.

Jaqueline de Souza, 45 anos, moradora de Samambaia, está desempregada desde 2012. Mãe de dois filhos e casada com um deficiente físico, trabalha de domingo a domingo com a venda de guloseimas na rodoviária do Plano Piloto. A vendedora passou a conviver com o nome no SPC desde 2012, quando abriu uma lanchonete e tomou empréstimo no Banco do Brasil. Porém, o negócio não deu certo e Jaqueline não conseguiu arcar com os compromissos. “Eu tenho trauma de ir ao banco, acho que, se eu passar em frente, fico presa”, brincou.

Na família de Jaqueline, a prioridade é a comida e o aluguel. Porém, as dívidas com o banco, e as contas de água e luz também pesam no orçamento. “Eu já fiquei sem água em casa por não conseguir pagar o boleto, e a conta de luz é sempre paga com atraso”, contou.

Fonte: Correio Braziliense

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