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31 de março de 2017Medidas visam a precarização das condições de funcionamento do banco, com corte de trabalhadores, fechamento de agências e redução nas áreas de crédito, habitação e loterias. O propósito é pavimentar o caminho da privatização da empresa
Um ataque ao caráter público e social da Caixa Econômica Federal e às conquistas históricas dos empregados está em franca expansão sob a gestão de Gilberto Occhi (presidente), com medidas que podem fazer a empresa retroceder em décadas. Um claro exemplo desse rolo compressor é a precarização das condições de funcionamento do banco, com a adoção de um plano que prevê corte ainda mais drástico de trabalhadores, fechamento de centenas de agências e redução aguda nas áreas de crédito, habitação e loterias.
Na surdina e de modo ditatorial, a pretexto de reforçar a eficiência e fazer uma melhor gestão do capital, os atuais diretores da Caixa, mancomunados com setores do governo federal, estão elaborando medidas com vistas à destruição gradual do maior banco público da América Latina, sob o nome pomposo de “processo de reestruturação”. As ações, que também visam a redução de benefícios dos trabalhadores, como no caso do Saúde Caixa, estão sendo adotadas com rapidez, sem qualquer debate ou consulta às entidades representativas.
Em relação à redução da presença em todo o país e da atuação em prol dos brasileiros, diferenciais da Caixa, a meta é fechar de 100 a 120 unidade até o fim do processo deflagrado pelo Programa de Demissão Voluntária Extraordinária (PDVE). Até o momento aderiram cerca de 4,6 mil empregados. As alternativas estudadas são fechamento, fusão, diminuição de estrutura ou remanejamento da agência para outro local.
Durante entrevista coletiva à imprensa na terça-feira (28), em São Paulo (SP), Gilberto Occhi anunciou ainda a criação de uma empresa de habitação, a Habitar, ainda em fase pré-operacional, em parceria com a Funcef e um sócio privado. No segmento de operações de crédito, o banco pretende também criar uma empresa de cartões (crédito e débito), para alterar sua atuação na área de meio de pagamentos e de aquisição. A Caixa já é sócia da Elo, bandeira de cartões em parceria com o Banco do Brasil e Bradesco.
A direção da Caixa também estuda a viabilidade de venda da área de loterias instantâneas, a Lotex, assim como a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade. Essa reestruturação, segundo Occhi, visa reduzir despesas com pessoal e administrativas em um curto período de tempo, sob a alegação de “fomentar boa perspectiva de crescimento com mais segurança em todos os setores”.
“Está muito claro que o propósito é fatiar a Caixa para privatizar essas partes, de modo a deixar cada vez mais distante a perspectiva de um banco público sintonizado com os desafios sociais do Brasil. Por isso, a luta deve ser assumida por todos os empregados. Em defesa do desenvolvimento nacional e do caráter 100% público, o movimento nacional da categoria condena a proposta de enfraquecimento da Caixa e reafirma seu compromisso de alertar a sociedade para se contrapor a essa sangria do patrimônio público”, alerta Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae.
“O ataque à Caixa, como de resto a outros bancos públicos federais, representa um ataque a toda a classe trabalhadora. Não vamos admitir que os empregados sejam responsabilizados pelos problemas do banco e do país. Queremos ter uma empresa onde tenhamos condições dignas de trabalho e onde sejam criadas as situações adequadas de cumprir esta meta que a Caixa vem se impondo ao longo de 146 anos de sua existência: de ser o principal banco social do governo federal”, acrescenta Jair Ferreira.
Para Fabiana Matheus, diretora de Administração e Finanças da Fenae, a Caixa não pode ser submetida à mesma lógica dos bancos privados. Ela diz que o país não precisa de mais um banco comercial no estilo de um Bradesco ou Itaú. “A gestão Occhi, ao trilhar este caminho, prejudica empregados, cada vez mais sobrecarregados, e destrói a própria sustentabilidade financeira da empresa. O desmonte da empresa passa pelo enfraquecimento de seus trabalhadores. Ao invés de contratar mais, em um momento de crescimento de demanda, a trajetória escolhida é de redução do número de agências e do corte de milhares de vagas por meio de um plano de demissões incentivadas”, critica.
Segundo Fabiana Matheus, o lucro da Caixa em 2016 de R$ 4,1 bilhões, com o registro de forte redução do lucro líquido no ano passado, é reflexo de uma gestão que pretende esvaziar o papel social do banco como instituição pública. “Se todas as propostas de descaracterização da Caixa forem efetivamente implantadas, será o fim de um modelo de crescimento inclusivo e para toda a população. É essencial que resistamos a mais esse golpe contra os empregados”, observa a diretora da Fenae.
Fonte: Fenae.

