Mesmo demitindo e adoecendo bancários, bancos recebem quase R$ 200 milhões em incentivos fiscais

Sem citar número para corte de gastos, presidentes de bancos dizem que pacote fiscal precisa ser crível
25 de novembro de 2024
Fim da jornada 6×1 do ponto de vista econômico e seu impacto nas empresas
26 de novembro de 2024
Sem citar número para corte de gastos, presidentes de bancos dizem que pacote fiscal precisa ser crível
25 de novembro de 2024
Fim da jornada 6×1 do ponto de vista econômico e seu impacto nas empresas
26 de novembro de 2024

Mesmo demitindo e adoecendo bancários, bancos recebem quase R$ 200 milhões em incentivos fiscais

Em meio ao debate sobre corte de gastos e ajuste fiscal, o Ministério da Fazenda divulgou de forma inédita o valor que o governo federal deixa de arrecadar com renúncias fiscais.

De acordo com dados da Receita Federal, somente entre janeiro e agosto deste ano R$ 97,7 bilhões deixaram de entrar nos cofres da União através de incentivos tributários, beneficiando 54,9 mil contribuintes. Já o total de renúncias fiscais, no mesmo período, chega aos incríveis R$ 546 bilhões.

Entre as empresas beneficiadas com incentivos fiscais estão os bancos, um dos setores mais lucrativos da economia.

Santander, campeão em isenções

O banco campeão de benefícios fiscais é o Santander que, junto com outras empresas do seu grupo – utilizadas pelo banco espanhol para retirar trabalhadores da categoria bancária, cortando direitos e achatando a remuneração – recebeu quase R$ 105 milhões em isenções.

Cabe lembrar que o Santander obteve lucro líquido gerencial de R$ 10 bilhões nos nove primeiros meses de 2024. O resultado representa crescimento de 40,5% em relação ao mesmo período de 2023, e de 10% em comparação ao trimestre imediatamente anterior, quando a instituição financeira lucrou R$ 3,3 bilhões, ante R$ 3,7 bilhões entre julho e setembro. Por outro lado, mesmo com este estrondoso crescimento no lucro e gozando de generosos incentivos fiscais, a holding Santander encerrou o terceiro trimestre com 55.035 empregados, com fechamento de 706 postos de trabalho em doze meses (568 no trimestre).

Somente com o que arrecada com prestação de serviços e tarifas bancárias, receita secundária que apresentou crescimento de 13,2% em doze meses, o Santander cobre em 184,2% o total de despesas com pessoal, incluindo a PLR.

Outros bancos

Em segundo lugar entre os bancos que recebem mais incentivos fiscais aparece o Bradesco, com R$ 23 milhões em isenções. O mesmo Bradesco que encerrou o terceiro trimestre de 2024 com 84.018 funcionários, com fechamento de 2.084 postos de trabalho em doze meses (693 no trimestre).

Somente com o que arrecada com prestação de serviços e renda das tarifas bancárias, receita secundária que cresceu 4,3% em doze meses, o Bradesco cobre em 122,3% o total de despesas com pessoal, incluindo a PLR.

Na sequência, aparece o banco Itaú, que recebeu pouco mais de R$ 6 milhões. Porém, se somadas as isenções concedidas para empresas do mesmo grupo empresarial do banco, esse valor ultrapassa os R$ 50 milhões. Em 12 meses, encerrados em setembro, o Itaú fechou 334 postos de trabalho.

Somente com o que arrecada com prestação de serviços e tarifas bancárias, receita secundária, o Itaú cobre em 159,6% o total de suas despesas com pessoal, incluindo a PLR.

Por sua vez, o Nubank – alvo de inúmeras denúncias de assédio moral, metas abusivas, sobrecarga de trabalho e demissões – recebeu mais de R$ 50 milhões em incentivos fiscais.

Fonte: SP bancários

Os comentários estão encerrados.