Mais de 1,5 mil brasileiros que trabalhavam em condições análogas à escravidão ganharam a liberdade este ano

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Mais de 1,5 mil brasileiros que trabalhavam em condições análogas à escravidão ganharam a liberdade este ano

O Ministério do Trabalho e Previdência tem um cadastro de empregadores que submeteram pessoas ao trabalho análogo ao de escravo. Na chamada “lista suja”, aparecem 182 empresas e pessoas físicas.

Mais de 1,5 mil brasileiros ganharam a liberdade neste ano. Eles trabalhavam como escravos.

Um flagrante de improviso e desrespeito. “A fiação elétrica está toda irregular. Aqui é o quarto um, a janela não abre”, diz auditora em imagens.

O vídeo foi feito por uma auditora do trabalho na cidade de Santa Juliana, no Alto Paranaíba. Mais de 70 trabalhadores do Maranhão foram resgatados. Segundo o grupo especial de fiscalização móvel, eles viviam em condições análogas à escravidão.

O marceneiro Rey Freitas foi contratado para trabalhar com pintura em uma empresa que produz peças de gesso em Patos de Minas, a aproximadamente 420 km da cidade onde morava. Viu vários colegas sem receber salário.

“Até que chegou o dia que o pessoal da polícia chegou lá – da Polícia Federal, do Ministério Público – e aí o pessoal relatou que não estava recebendo, entendeu? Aí eles constataram o trabalho escravo e fechou, né?”, relata Rey Freitas.

Ministério do Trabalho e Previdência tem um cadastro de empregadores que submeteram pessoas ao trabalho análogo ao de escravo. Na chamada “lista suja”, aparecem 182 empresas e pessoas físicas. São processos administrativos que foram encerrados.

“A lista suja é uma ferramenta de transparência do governo federal para que a sociedade possa exercer o controle social daquelas empresas, das relações comerciais que possam ter. E relações que possam estar manchadas com uma prática de trabalho escravo”, explica o coordenador do Grupo Móvel de Fiscalização do MTE, Maurício Krespsky.

Só em 2022, 1.565 pessoas foram resgatadas em condições análogas à escravidão no Brasil. Nas ações coordenadas pela auditoria fiscal do trabalho, o retrato de uma realidade que choca: barracos de lona, criança no quintal em que pedaços de carne foram pendurados no varal.

O estado de Minas Gerais lidera a lista de resgates de trabalhadores nessas condições, segundo o Ministério do Trabalho. Até agora, 688 pessoas foram resgatadas e entre os setores econômicos que mais se destacam, desta vez de forma negativa, está o do café, ao lado das carvoarias.

“Duas atividades que ocorrem muito em Minas Gerais e que envolvem também muita mão de obra. Há uma equipe especializada de auditores fiscais do trabalho que atuam somente nesta temática, o que nos mostra muitas vezes que, quanto mais ações são feitas voltadas para essa finalidade, mais trabalhadores podem ser encontrados em condição análoga a de escravo”, aponta Krepsky.

A Universidade Federal de Uberlândia tem uma clínica de enfrentamento ao trabalho escravo que atua na conscientização, prevenção e combate a esta prática. O grupo é formado por vários profissionais, entre advogados, psicólogos e estudantes de graduação. Em sete anos de atuação, eles já assessoraram mais de 200 trabalhadores que foram encontrados em situação análoga à escravidão.

“O resgatado, geralmente, ele tem vários problemas. De resgatar a dignidade dele, problemas para se ver como um ser completo e pleno de direitos dentro de um mundo que negou tudo isso a ele”, conta a professora Márcia Leonora Orladini.

Fonte: G1

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