Mais brasileiros vão usar 13º para pagar dívida, diz pesquisa

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Mais brasileiros vão usar 13º para pagar dívida, diz pesquisa

A economia pode até ter melhorado neste ano, mas não para de crescer o número de brasileiros que pretendem usar o 13º salário para pagar dívidas, antes de comprar novos produtos.

Apesar de a inflação e os juros estarem em trajetória de queda e o desemprego, cedendo, o consumidor ainda tem muitas dívidas em atraso, reflexo da recessão econômica.

Pesquisa da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostra que 85% pretendem usar o salário extra do fim do ano para pagar dívidas já contraídas, ante 81% em 2016 –eram 74% em 2015, segundo a associação.

Essa estratégia é recomendada por especialistas, especialmente para quem tem dívidas com juros mais altos, como no rotativo do cartão de crédito e no cheque especial.

Se sobrar dinheiro, o consumidor deve aproveitar para antecipar parcelas de outros empréstimos. Neste caso, é importante negociar o abatimento dos juros embutidos nessas prestações, já que o pagamento com o banco será adiantado.

Reduzir as dívidas é algo que o brasileiro não tem conseguido colocar em prática ainda. Segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 61,8% das famílias estavam endividadas em outubro, ante 59,8% um ano antes.

MENOS POUPANÇA

Diante dessas dívidas, menos consumidores pretendem poupar parte do que sobrará do 13º salário para as despesas de começo do ano: houve uma queda de 33,3% na comparação com 2016, segundo a pesquisa da Anefac, que entrevistou 1.045 pessoas.

De acordo com Roberto Vertamatti, diretor de economia da associação, o ideal é guardar 30% da renda extra para as despesas de início de ano. Outros 10% deveriam ser destinados para uma reserva de emergência.

Uma parte deve ser alocada em aplicações que rendam juros, como fundos de renda fixa e CDBs (Certificados de Depósitos Bancários). A poupança pode ser opção para quem precisa de facilidade para resgatar o dinheiro, embora o retorno seja baixo.

“O brasileiro não tem a cultura de poupar e isso torna ainda mais complicada a situação nos momentos de aperto”, diz Vertamatti.

Para quem conseguiu passar pela turbulência econômica sem ficar endividado e não vai precisar usar a verba extra para pagar dívidas atrasadas, a recomendação é guardar pelo menos parte dos recursos recebidos.

A pesquisa mostra que apenas 2% dos trabalhadores pretendem poupar parte do que sobrará do 13º salário, percentual que se mantém estável desde 2015.

Chegar no início do ano com algum dinheiro reservado é importante por causa de despesas tradicionais como IPVA (imposto veicular), IPTU (imposto predial) e material escolar. Pagar o imposto à vista geralmente garante bons descontos.

Com as escolas, é possível negociar para ver se há vantagem em antecipar o pagamento de mais de uma mensalidade do ano letivo.

MENOS COMPRAS

O aumento do endividamento também significa apertar os cintos neste fim de ano. O levantamento da associação mostra que menos consumidores pretendem ir às compras em 2017.

No ano passado, segundo a associação, 6% dos trabalhadores pretendiam usar parte do 13º para comprar presentes. Neste ano, apenas 5% declaram que vão às compras. O impacto é ainda maior quando comparado a 2015, quando 8% queriam comprar presentes.

Já as famosas lembrancinhas devem ganhar mais espaço neste fim de ano. De acordo com a pesquisa, 95% dos consumidores pretendem gastar no Natal até R$ 500 neste ano, ante 94% em 2016.

Uma das recomendações nessa hora é tentar juntar dinheiro para pagar o produto à vista. Além de evitar uma dívida futura, por exemplo no cartão de crédito, essa estratégia costuma garantir descontos com lojistas.

Houve aumento, de acordo com a pesquisa, de 1,16% no número de consumidores que pretendem utilizar recursos próprios para as compras de Natal e queda de 22,22% nos que deverão utilizar empréstimos bancários.

Fonte – Folha de São Paulo

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