Lava Jato liga 5 maiores bancos do país a lavagem de R$ 1,3 bilhão

Investigações da Lava Jato apontam que contas abertas nos cinco maiores bancos do país foram usadas para lavagem de dinheiro. De acordo com apurações que basearam duas fases da operação realizadas neste ano, recursos usados para pagamento de propina passaram por Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander.
Ao todo, as contas abertas em nome de empresas de fachada operadas por doleiros investigados na Lava Jato teriam movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão. A cooptação de funcionários dos bancos e falhas em sistemas de controle de operações suspeitas teriam viabilizado a utilização do sistema financeiro nacional para transações ilegais.
Por causa dessas falhas, investigadores da Lava Jato agora apuram se os grandes bancos citados em fases da operação também são responsáveis pelos crimes cometidos.
“O que está em apuração é se o banco adotou todas as cautelas devidas para evitar que funcionários fossem cooptados e valores fossem lavados ou se ele foi omisso”, disse o procurador da República Roberson Pozzobon, integrante da força tarefa da Lava Jato em Curitiba.
Transações investigadas
Bradesco: R$ 989,6 milhões
Banco do Brasil: cerca de R$ 200 milhões
Itaú: R$ 94,5 milhões
Santander: R$ 19,5 milhões
Caixa: R$ 4,1 milhões
Total: R$ 1,3 bilhão
Fonte: MPF-PR e MPF-RJ
Paraná investiga o Banco do Brasil
Pozzobon participou das investigações que levaram à 66ª fase da Lava Jato do Paraná, deflagrada na sexta-feira passada. Essa etapa da operação investiga a participação de quatro então funcionários do Banco do Brasil na lavagem de cerca de R$ 200 milhões usando contas abertas no banco.
De acordo com o MPF-PR (Ministério Público Federal do Paraná), os bancários investigados teriam ajudado doleiros a abrir contas no Banco do Brasil. Além disso, teriam burlado regras de alerta sobre operações suspeitas para que os doleiros pudessem usar as contas para obter dinheiro em espécie e pagar propinas.
Na prática, segundo a Lava Jato, os doleiros recebiam depósitos de empreiteiras nessas contas. Depois, sacavam esses recursos em dinheiro para distribui-lo a corruptos sem que esses pagamentos ficassem registrados no sistema financeiro.
“Foi detectada a participação de funcionários da instituição financeira [o Banco do Brasil] na geração de dinheiro em espécie usado para o pagamento de propina”, resumiu o delegado da PF (Polícia Federal) do Paraná, Dante Lemos, que também participou da 66ª fase da Lava Jato. (Fonte: UOL)



