Justiça livra presidente do Bradesco de ação da Operação Zelotes

Correção do FGTS será depositada em agosto
16 de junho de 2017
No 5º ano de prejuízo, Correios projetam rombo de R$ 1,3 bi em 2017
16 de junho de 2017
Correção do FGTS será depositada em agosto
16 de junho de 2017
No 5º ano de prejuízo, Correios projetam rombo de R$ 1,3 bi em 2017
16 de junho de 2017

Justiça livra presidente do Bradesco de ação da Operação Zelotes

A Justiça livrou o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, de um processo criminal em que ele era acusado junto com outros três executivos de pagar propina a lobistas para solucionar pendências com o fisco.

Em informe ao mercado nesta quarta (14), o banco afirmou que Trabuco não corre mais risco de ser incriminado nessa ação, um dos desdobramentos da Operação Zelotes, da Polícia Federal.

Trabuco tornou-se réu em ação penal na Justiça Federal em Brasília com outras nove pessoas, todos acusados de negociar propina para beneficiar o banco em processos na Receita Federal e no Carf (Conselho administrativo de Recursos Fiscais), que envolviam cerca de R$ 4 bilhões.

De acordo com o comunicado, a quarta turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu por unanimidade pelo trancamento da ação penal em relação a Trabuco “por falta de justa causa”. Na prática, isso significa que Trabuco não pode mais ser incriminado neste caso.

O tribunal confirmou a decisão em favor do executivo, mas não havia divulgado seu conteúdo até a conclusão desta edição, às 21 horas.

As ações do Bradesco subiram 3,37% nesta quarta-feira, a maior alta desde 2 de maio. A Bolsa de São Paulo teve alta mais modesta: 0,15%.

É a segunda vez que o tribunal livra um banqueiro atingido pela Zelotes. Em dezembro, ele havia concluído que não havia indícios mínimos para processar o banqueiro Joseph Safra, dono do banco Safra, e também mandou trancar a ação contra ele.

A Zelotes investiga advogados, lobistas e agentes públicos que teriam agido em favor de empresas no Carf, órgão que julga recursos contra multas da Receita Federal.

No caso do Bradesco, a PF apontou contatos dos lobistas com executivos do banco e afirmou que, antes de um desses encontros, na sede do banco, Trabuco apareceu para cumprimentar os lobistas.

Um grampo telefônico flagrou diálogo em que um deles, o advogado Mario Pagnozzi Junior, conta a Eduardo Cerqueira Leite, ex-chefe da delegacia da Receita em São Paulo, que o presidente do Bradesco agradeceu seu “empenho em ajudar” o banco.

Além de Trabuco, foram denunciados três funcionários do Bradesco: Mario da Silveira Teixeira Junior, ex-integrante do conselho de administração; Domingos de Abreu, vice-presidente; e o diretor-gerente de relações com investidores, Luiz Carlos Angelotti –os dois últimos foram citados como os responsáveis pelas negociações.

A investigação não encontrou provas de contatos diretos do presidente do banco com os acusados de integrar a organização criminosa. Mas os procuradores responsáveis pela denúncia afirmam que os diretores do Bradesco não discutiriam estratégias ilícitas em processos envolvendo bilhões sem ter a anuência do comandante da instituição.

Segundo os procuradores, a investigação identificou três frentes de negociação dos acusados, mas nenhuma delas se concretizou, e a propina não chegou a ser paga.

Uma das negociações dizia respeito a um processo contra o Bradesco no Carf, em que a Receita cobrava, ao todo, R$ 2,7 bilhões. A instituição foi derrotada por 6 a 0 em primeira instância e desistiu de recorrer. Segundo os investigadores, os executivos vinham negociando com lobistas, mas recuaram depois da deflagração da Zelotes.

Outra oportunidade que teria interessado à empresa envolvia uma restituição de tributos de cerca de R$ 360 milhões. A terceira frente seria uma revisão tributária geral dos últimos cinco anos. Nesse caso, o prejuízo ao erário seria de R$ 1 bilhão.

NA MIRA DA OPERAÇÃO ZELOTES

BRADESCO
O presidente do banco, Luiz Trabuco, e outros três executivos foram acusados de oferecer propina a lobistas para se livrar de cobranças no valor de R$ 4 bilhões. Nesta semana, a Justiça livrou Trabuco do processo.

OUTRO LADO
O banco, que desistiu de contratar os lobistas e perdeu no Carf, nega irregularidades. Trabuco diz que só cumprimentou um lobista numa reunião.

ITAÚ UNIBANCO
Foi alvo de buscas em dezembro, por causa de pagamentos feitos a uma consultoria para resolver pendências do antigo BankBoston, cujas operações no país adquiriu em 2006.

OUTRO LADO
O banco diz que cumpriu obrigação contratual com os antigos donos do BankBoston, e que não acompanhou os processos no Carf.

SAFRA
Em dezembro, a Justiça livrou o banqueiro Joseph Safra de um processo em que executivos do banco Safra são acusados de pagar R$ 15,3 milhões em propina a auditores do fisco.

OUTRO LADO
O banco nega ter cometido irregularidades. A Justiça concluiu que não havia indícios mínimos contra Safra.

GERDAU
O empresário André Gerdau, principal executivo do grupo siderúrgico criado por seu pai, foi indiciado pela PF por suspeita de ter pago lobistas para se livrar de uma multa de R$ 1,5 bilhão.

OUTRO LADO
A empresa diz que seus executivos jamais ofereceram propina em troca de favorecimento no Carf, onde a Gerdau perdeu sua disputa com o fisco.

Fonte – Folha / UOL

Os comentários estão encerrados.