
Reunião do Conselho de Representantes FEEB SC 25/07/2019
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29 de julho de 2019Os juros do rotativo regular do cartão para pessoas físicas alcançaram, no primeiro semestre, os maiores patamares desde a implementação das novas regras da modalidade. Só em junho, o avanço foi de 16,1 pontos percentuais (p.p.) ante igual mês de 2018.
O movimento vem pouco mais de dois anos após a implantação das novas regras do rotativo do cartão de crédito, em abril de 2017. A lei impôs a obrigação aos bancos de transferir para o parcelado a dívida que passasse de um mês no rotativo.
Segundo os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), porém, todos os segmentos relacionados ao cartão tiveram aumento dos juros em junho contra igual mês de 2018. O rotativo regular (para consumidores que pagaram o valor mínimo da fatura) foi de 261,1% ao ano (a.a.) para 277,2% a.a., por exemplo.
Já os juros do rotativo não regular (para quem não pagou o valor mínimo da fatura) subiram 3,1 p.p., de 313,3% a.a. para 316,4% a.a.. No total, o rotativo do cartão registrou um avanço de 8,3 p.p. nos juros de junho deste ano contra o mesmo mês de 2018, de 291,8% a.a. para 300,1% a.a..
O parcelado do cartão, por sua vez, marcou uma alta de 7,5 p.p. nos juros na mesma base de comparação, de 168,1% a.a. para 175,6% a.a..
De acordo com o professor da Saint Paul Escola de Negócios Maurício Godoi, o principal fator a ser considerado na análise dessas linhas é o ambiente doméstico vivido ao longo do primeiro semestre.
“De um lado, as incertezas do mercado em relação ao ambiente político e fiscal e também quanto à passagem da reforma da Previdência diminuíram o apetite por risco por parte das instituições financeiras. De outro, também observamos o maior uso das linhas emergenciais, mesmo pagando mais caro”, afirma.
Ainda segundo os dados do BC, o endividamento total das famílias registrou um novo aumento de 2 p.p. no mês passado contra junho de 2018, de 42% para 44%. Sem contar o financiamento imobiliário, a alta foi de 23,5% para 25,4%.
Segundo o coordenador do curso de economia da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap), Paulo Dutra, além do desempenho da economia ter se mostrado aquém do esperado, a maior parte das medidas trazidas pelo governo e pelo BC têm resultado apenas no médio e longo prazo.
“Vimos uma melhora do crédito em comparação aos últimos dois anos, mas tudo ainda está muito abaixo do que esperávamos, tanto em relação a consumo quanto frente aos investimentos das companhias. A perspectiva é de cenários mais positivos, mas é algo gradativo”, avalia o educador.
Cheque especial
Outra medida trazida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no início deste mês foram as novas regras para o cheque especial. O conjunto de regras veio por autoregulamentação bancária e impõe a disponibilização de opções mais vantajosas para o pagamento da dívida da linha e maior transparência.
Segundo os dados do BC, a modalidade (que é a mais cara do sistema financeiro) apresentou um aumento de 19 p.p. nos juros em junho deste ano contra igual mês de 2018, de 304,9% a.a. para 322,2% a.a..
“Ainda que tenhamos uma nova redução da taxa básica de juros, a alta concentração bancária também dificulta a redução desses juros ao consumidor, que chega inclusive para as linhas mais usadas, como crédito pessoal. Enquanto não virmos uma maior concorrência, não haverá custo mais baixo no crédito”, opina Dutra.
Os juros do crédito pessoal não consignado subiram 2,3 p.p. na mesma relação, de 114,7% a.a. para 120,3% a.a..
Já para Godoi, porém, o cenário mais otimista já deve começar a trazer alguns resultados positivos no crédito a partir de setembro. “Tudo caminha para uma melhora nas condições de crédito. Mas nada é do dia para a noite”, diz.
Fonte: DCI

