Questionado se as medidas tomadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) seriam suficientes para impedir uma nova série de escândalos envolvendo fundos, o coordenador-geral de investimentos do Regime Público de Previdência Social do Ministério da Fazenda, Allex Albert Domingues, disse que sim. Segundo ele, o governo entendeu que não bastava criar limites para o investimento dos recursos, como feito no passado. Era preciso mudar regras estruturais para orientar o setor.
– Essas restrições impostas anteriormente não mitigavam os riscos. Agora, foi mais estruturante para repensar o sistema e voltar para a governança. Nós acreditamos que são suficientes – disse ele.
Neste ano, a PF desbaratou esquemas no interior de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Tocantins, Goiás, entre outros os estados. No caso da operação Em Uberlândia, a PF verificou que R$ 340 milhões dos servidores estavam aplicados em fundos de gestores independentes e em investimentos que não tinham liquidez. É mais da metade do que os funcionários públicos têm para garantir a aposentadoria no futuro. As fraudes são tão absurdas que surpreenderam quem apurou o escândalo. Havia, por exemplo, milhões investidos numa empresa com o capital social de apenas R$ 500.
Com parâmetros mais claros para os gestores dos recursos, o governo entendeu que é possível ampliar a possibilidade de aplicação. O Conselho Monetário Nacional (CMN) permitiu que os fundos de previdência própria podem, a partir de agora, aplicar recursos no exterior, mas não diretamente. As operações devem ser feitas por meio de fundos que tenham investimentos fora do país.
Outra mudança feita pela resolução editada nesta terça-feira pelo CMN foi a liberação para que os sistemas de aposentadorias estatais e municipais façam aplicações em empresas que entraram agora no mercado de ações. Isso libera os gestores para comprar papéis de companhias menores que fizerem IPO, sigla em inglês para lançamento inicial de ações no mercado financeiro.
– A intenção é dar uma maior segurança e permitir a diversificação de carteira – frisou Ernesto Serêjo, coordenador-geral de seguros e previdência complementar do Ministério da Fazenda, que lembra que essa aplicação de tipos de aplicações só é possível porque deve ser feita em empresas que são respeitadas e que se importem com o risco de manchar a sua reputação.
Ele admitiu que o grande número de fraudes e prejuízos desarticulados pelas operações da Polícia Federal fizeram o governo tomar essas medidas.
Atualmente, estados e municípios têm 2.124 regimes próprios de previdência. Juntos, possuem R$ 142 bilhões aplicados em investimentos que devem render dinheiro suficiente para bancar as aposentadorias dos atuais servidores. Já os fundos de pensão privados têm R$ 820 bilhões em caixa.
Fonte – Globo.com



