
Banco Central lança pacote para reduzir custo do cartão de débito
26 de março de 2018
BC terá que aprovar indicações para dirigentes de bancos estatais
26 de março de 2018As empresas querem emplacar um conselheiro independente num momento em que o governo gaúcho tenta rentabilizar parte de sua fatia no banco em meio a um colapso fiscal

A gestora gaúcha Zenith Asset Management, a Kapitalo Investimentos, a JGP e a Oceana indicaram Adriano Seabra para o conselho do Banrisul. Seabra, um veterano gestor de recursos que recentemente trabalhou na Opus e na Fides, já participa dos conselhos da Sanepar e da CESP, além do conselho fiscal da Copasa.
Juntas, as quatro gestoras têm 34,5 milhões de acoes?? PNB do Banrisul (BRSR6), equivalentes a 16,95% do total de PNs e a 8,45% do capital total do banco. O estatuto do Banrisul garante a investidores PN no mínimo 10% do capital social.
“A governança no Banrisul é um desastre, é a pior que já vimos numa empresa aberta,” diz Rafael Morsch, sócio da Zenith, que está liderando o ativismo. A Zenith administra R$ 280 milhões e é dona de 2% das PNBs do Banrisul, que é a maior posição do seu fundo. “Desde que começamos este movimento, o banco se negou a conversar com a gente. Só falou com as outras gestoras e mesmo assim tentando dissuadi-las de participar.”
Em abril do ano passado, os acionistas elegeram nove membros do conselho, dos quais quatro acabaram rejeitados pelo BC em dezembro. O BC rejeitou três nomes indicados pelo governo – três secretários de Estado –, apontando que eles violariam a Lei das Estatais, que veda secretários do Estado em conselhos de estatais.
Mateus Bandeira, indicado pelos preferencialistas e hoje pré-candidato ao governo do estado, também foi rejeitado por já ser conselheiro do Banco Pan. O estatuto do Banrisul não permite que um mesmo conselheiro atue em dois bancos. (Só o BC viu a violação.) Já os acionistas minoritários querem instalar um conselheiro para tentar coibir operações que consideram lesivas ao banco.
Em enormes dificuldades financeiras, o estado gaúcho dividiu o décimo-terceiro de 2016 em 12 parcelas ao longo de 2017. Em dezembro último, para pagar o décimo terceiro de 2017 em dia, o Governo fez uma operação com o Banrisul. Os funcionários públicos tinham duas opções: ou o funcionário aceitava receber o valor cheio do décimo-terceiro como um empréstimo ou recebia em 12 parcelas corrigidas pela mesma taxa pela qual o Estado remuneraria o banco (LFT + 1% ao mês). A taxa do empréstimo estava abaixo da taxa de consignados do banco, uma operação parecida mas de menor risco.
A Zenith foi à CVM e reclamou que a operação era uma triangulação, claramente proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede que entes da Federação sejam financiados por bancos sob seu controle. A CVM abriu um processo em janeiro.
Os acionistas também querem monitorar a implementação de um plano de restruturação, desenvolvido pela McKinsey, que identificou diversas iniciativas de aumento de receita e corte de custos no banco.
“É tudo mato alto, coisas simples que dá pra fazer,” diz outro gestor envolvido no ativismo. Por exemplo, a McKinsey identificou que clientes do Banrisul têm um limite de cartão de crédito substancialmente inferior ao que recebem de outros bancos. “O gaúcho é bairrista: se o limite for igual no Itaú e no Banrisul, ele vai preferir operar no Banrisul,” diz este gestor. No ano passado, o Banrisul teve um retorno patrimonial recorrente de 13,5%. O Bradesco deu 18% e o Itaú, 20%.
Apesar da crise fiscal épica, o Rio Grande do Sul se recusa a sequer contemplar a privatização do Banrisul. No governo Olivio Dutra (PT), o estado fez uma emenda constitucional que obriga a convocação de um plebiscito para vender qualquer uma de suas estatais. De lá para cá, todos os governos gaúchos usaram essa emenda como desculpa para não vender o banco, dizendo que os gaúchos jamais aprovariam a medida. Em vez disso, o estado tem sondado a possibilidade de uma oferta secundária da parte de suas ações que excede o controle.
O valor patrimonial do Banrisul é R$ 7 bilhões. Baseado em outras privatizações de bancos estaduais, não seria inconcebível que o Banrisul saísse por até três vezes o valor patrimonial.
Além do Banrisul, o Rio Grande do Sul é controlador do Badesul, um banco de desenvolvimento que dá prejuízo há anos, e sócio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), um banco de desenvolvimento que pertence aos três estados da Região Sul.
Fonte – O Estado de Minas

