Fim da escala 6×1: oito em cada dez brasileiros são a favor da mudança na jornada de trabalho, mostra pesquisa

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Fim da escala 6×1: oito em cada dez brasileiros são a favor da mudança na jornada de trabalho, mostra pesquisa

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 entra nesta terça-feira (dia 6) em uma etapa decisiva de tramitação no Congresso Nacional, com a primeira de cinco sessões de discussão antes da votação em plenário. A medida, que é uma das bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conta com amplo apoio popular. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. Segundo o levantamento, 78% dos brasileiros são a favor da mudança, sendo 63% totalmente favoráveis e 15% parcialmente favoráveis.

Apesar disso, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), já disse que a aprovação da PEC ficou mais difícil, diante do resultado das eleições no primeiro turno, que terminou com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, além do PL a caminho de formar a maior bancada do Senado a partir de 2027.

O apoio à medida ocorre tanto entre pessoas que trabalham na escala 6×1, quanto entre aquelas que não estão submetidas a esse modelo. Entre as justificativas para a posição favorável, a mais citada é a de que o trabalhador merece ter mais tempo para si e para a família, apontada por 66%. Na sequência aparecem muitos não descansam porque na folga precisam cuidar da casa e dos filhos (53%), o trabalhador não consegue descansar de verdade em apenas um dia (49%) e o trabalho 6×1 adoece o trabalhador (38%).

Qualidade de vida

 

Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, a pesquisa mostra que o debate sobre a escala de trabalho vai além da duração da jornada e envolve qualidade de vida.

— Se, no surgimento da classe C, o grande aspiracional era o consumo, hoje o aspiracional é o tempo. É ter dignidade, ser dono do próprio tempo e decidir o que fazer com ele. É nesse contexto que a grande maioria defende a redução (da escala 6×1). Não é uma pessoa defendendo algo por si mesma. O número de brasileiros que trabalha nessa escala é bem menor do que os 78% que apoiam a mudança — afirma Meirelles.

Segundo a pesquisa, 71% dos brasileiros afirmam que a escala 6×1 dificulta a manutenção de hábitos saudáveis, enquanto 78% concordam que é difícil descansar de verdade trabalhando nesse modelo. Além disso, 83% avaliam que as pessoas estão vivendo cada vez mais cansadas, 81% acreditam que descansar se tornou um privilégio que muitos trabalhadores não têm, e 85% concordam que muitas pessoas sacrificam saúde e lazer para manter a renda. Entre as mulheres, esse último percentual chega a 89%.

A pesquisa “Escala de trabalho 6×1”, realizada entre os dias 2 e 8 de junho, ouviu 1.030 brasileiros com 18 anos ou mais, em todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.

Modelo prejudica saúde, dizem trabalhadores

 

Entre as pessoas que trabalham na escala 6×1, 67% afirmam que a jornada prejudicou sua saúde mental. Outros 62% relatam piora na saúde física, enquanto 63% dizem que a escala comprometeu sua vida de forma geral.

O presidente o Instituto Locomotiva explica que que a escala 6×1 vem junto de um ambiente de muita cobrança, como por performance, desempenho e velocidade para realizar as tarefas.

— São profissões que também estão relacionadas a um ambiente de estresse muito grande e à falta de tempo para conseguir desopilar e descansar. Fora que existe uma outra questão, que é especialmente forte em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro: o tempo que você perde no trânsito. A redução da jornada não te tira apenas o horário de trabalho, mas também a uma hora que o trabalhador tira para sair e voltar de casa (para o trabalho), que é uma hora que não é remunerada. Ninguém paga por essa hora.

A pesquisa aponta ainda que os efeitos da jornada se refletem em diferentes aspectos da rotina. Entre os trabalhadores submetidos ao modelo, 69% apontam o tempo com a família como um dos aspectos mais impactados, seguido por sono e descanso (61%), lazer e hobbies (55%), vida social e amigos (55%), saúde mental e emocional (54%), estudos e qualificação profissional (47%) e prática de exercícios físicos (44%).

— A pessoa que trabalha no 6×1 quer ter direito não apenas a mais tempo para a família, mas eventualmente também a fazer outro trabalho. Tudo isso está relacionado ao direito sobre o próprio tempo. A hora é o grande ativo econômico dos brasileiros, em especial dos brasileiros de menor renda, que são aqueles que trabalham no 6×1 — avalia Meirelles.

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