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14 de junho de 2017Pedro Bastos é acusado de envolvimento com fraudes na compra de um campo de petróleo em Benin, na África, que também envolveu Eduardo Cunha. A força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) no Paraná denunciou, nesta segunda-feira, o ex-gerente da área internacional da Petrobras Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o ex-gerente recebeu 4,8 milhões de dólares em propinas na conta da offshore Sandfield, na Suíça, da qual era beneficiário.
Em contrapartida, ele se utilizou do cargo que ocupava para dar amparo técnico a um negócio envolvendo a venda de um campo seco de petróleo em Benin, na África, da empresa Companie Beninoise des Hydrocarbures Sarl (CBH) para a Petrobras, em 2011. Pedro Bastos está preso desde 26 de maio, quando foi deflagrada a Operação Poço Seco, 41ª fase da Lava Jato.
A denúncia do MPF aponta que o ex-gerente esteve comprovadamente envolvido com a realização do negócio, praticando diversos atos de ofício que deram justificativa técnica falsa para a aquisição dos ativos. Um relatório da Comissão Interna de Apuração da Petrobras, que investigou os fatos, apontou que Bastos foi responsável por uma série de irregularidades, entre elas orientar a manipulação de dados, não atender à recomendações jurídicas, omitir informações de instâncias superiores e interferir em avaliações técnicas.
Segundo a força-tarefa da Lava Jato, após as conclusões da Comissão Interna de Apuração, Pedro Bastos foi demitido por justa causa dos quadros da companhia estatal no segundo semestre de 2016. Ouvido na fase de investigações, o ex-gerente declarou que era gerente da área internacional da Petrobras ao tempo dos fatos, e que trabalhou na análise e no projeto relativo a Benin. Além disso, ainda declarou que tinha conhecimento do envolvimento do lobista João Henriques no negócio envolvendo o campo de Benin e que, como Henriques queria dar um “prêmio” ao depoente, foi aberta a conta Sandfield Consulting, que recebeu as aludidas transferências.
O lobista está preso desde setembro de 2015. Na operação Lava Jato, João Henriques já foi condenado a sete anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, em decorrência dos mesmos fatos em outro processo, no qual também foram condenados o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-diretor da Petrobras Jorge Luiz Zelada.
Fonte – Veja

