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20 de agosto de 2021Revista Lancet publica comprovação científica de que vacina sino-brasileira protege contra a nova cepa, que já faz número de novos casos no Brasil crescer pelo terceiro dia consecutivo
A revista científica internacional Lancet publicou, nesta quarta-feira (18) estudo sobre a CoronaVac conduzida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China em parceria com a Escola de Saúde Pública da Província de Guandong. A região passou por um surto da variante delta, que foi aproveitado para a condução do levantamento. Os resultados foram considerados “animadores”. A CoronaVac apresentou alta proteção contra a variante que está se tornando dominante em todo o mundo.
De acordo com o estudo, a proteção da CoronaVac contra a nova cepa está entre 65,5% e 77,7% contra casos sintomáticos. O levantamento analisou 10.813 pessoas, entre imunizados e as do grupo de controle que não havia recebido o imunizante (placebo). Entre os vacinados, não foram registradas mortes. “O estudo demonstrou claramente que a vacina, dada em duas doses, tem uma efetividade de até 100% para prevenir mortes causadas pela variante delta, que preocupa o mundo”, disse o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. O imunizante é produzido pela instituição brasileira em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.
O estudo também avaliou a queda de eficácia com apenas uma dose de CoronaVac em casos de infecção pela delta. Durante o período analisado, 102 pessoas foram acometidas por pneumonia, uma manifestação mais severa da covid-19. Destes, 85 não haviam tomado o imunizante, 12 tomaram apenas uma dose e apenas cinco estava com o esquema vacinal completo. O resultado atesta a eficácia da CoronaVac também para evitar casos graves de covid-19 mesmo em caso de pacientes vacinados com apenas a primeira das duas doses necessárias.
No Brasil, apenas o Rio de Janeiro já confirmou a prevalência da mutação. Nos países em que a cepa se tornou dominante, foram observadas elevações importantes no número de novos casos de covid-19. Entretanto, nos locais com vacinação mais avançada, como Inglaterra e Israel, esse crescimento não trouxe aumento expressivo de mortes. Já nos Estados Unidos, em que parte da população rejeita as vacinas, a variante delta provoca novos colapsos no sistema de saúde. Autoridades do país afirmam que 99% das mortes recentes pela doença foram de pessoas que não quiseram tomar nenhuma vacina.
Nicolelis lembra que a variante delta é até 70% mais contagiosa do que cepas anteriores e dá sinais claros de que avança no Brasil. Países com a vacinação mais adiantada já estão adotando a terceira dose de vacinação para reforçar a imunidade de grupos de maior risco, como idosos e imunodeficientes. Portanto, o Brasil, que tem menos de 26% de sua população vacinada com duas doses, segue sendo motivo de preocupação para os cientistas.
Balanço
Enquanto parte do poder público acredita que a pandemia acabou, o Brasil registrou mais um dia com número alto de mortos nesta quarta-feira. Foram 1.064 vítimas notificadas no último período de 24 horas monitorado, levando o país a 571.662 mortos. Destaque para a elevação no número de casos registrados. Foram 41.714, consideravelmente superior à chamama média móvel de 30.402 novos casos a cada um dos últimos sete dias. Os números são do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).
O número alto de novos doentes tem relação com o avanço da variante delta, que já deixa seis cidades fluminenses com 100% da capacidade hospitalar ocupada. Desde o dia 23 de junho, o Brasil vinha registrando quedas diárias no indicador de novos casos. Entretanto, desde domingo (15), os números estão em elevação.
Diante do cenário, a epidemiologista e pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel alertou, em seu perfil em uma rede social: “Onde a delta é dominante temos aumento de casos, mas vamos retomar todas as atividades e promover aglomerações. Temos um percentual pequeno de segundas doses aplicadas e já precisamos de terceiras em grupos imunocomprometidos”.
Fonte: Rede Brasil atual

