Desenrola e fim das bets ajudam bancos, mas há um ponto de atenção no radar; entenda

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Desenrola e fim das bets ajudam bancos, mas há um ponto de atenção no radar; entenda

Duas medidas anunciadas pelo governo federal às vésperas das eleições podem dar algum alívio aos bancos brasileiros em um momento de preocupação elevada com o endividamento das famílias: o Desenrola Brasil 3.0 e a proibição das plataformas de apostas online.

Para analistas de Goldman Sachs, JPMorgan, UBS BB e Bradesco BBI, as iniciativas têm potencial para beneficiar o setor financeiro, ainda que por canais diferentes e com impactos distintos entre as instituições. No caso do novo Desenrola, o BBI destaca uma mudança especialmente favorável em relação à versão anterior: o foco agora está principalmente em créditos que já foram baixados como prejuízo, reduzindo os potenciais efeitos negativos decorrentes da constituição de provisões.

Já a proibição das bets pode, na leitura dos analistas, liberar uma parcela da renda familiar que vinha sendo direcionada às apostas e, potencialmente, melhorar a capacidade de pagamento dos consumidores.

BBI vê nova versão do Desenrola mais positiva para bancos, enquanto analistas apontam melhora potencial do crédito com fim das bets, mas “risco moral” segue no radar
Ativos mencionados na matéria
Duas medidas anunciadas pelo governo federal às vésperas das eleições podem dar algum alívio aos bancos brasileiros em um momento de preocupação elevada com o endividamento das famílias: o Desenrola Brasil 3.0 e a proibição das plataformas de apostas online.Para analistas de Goldman Sachs, JPMorgan, UBS BB e Bradesco BBI, as iniciativas têm potencial para beneficiar o setor financeiro, ainda que por canais diferentes e com impactos distintos entre as instituições. No caso do novo Desenrola, o BBI destaca uma mudança especialmente favorável em relação à versão anterior: o foco agora está principalmente em créditos que já foram baixados como prejuízo, reduzindo os potenciais efeitos negativos decorrentes da constituição de provisões.

Já a proibição das bets pode, na leitura dos analistas, liberar uma parcela da renda familiar que vinha sendo direcionada às apostas e, potencialmente, melhorar a capacidade de pagamento dos consumidores.

A leitura mais direta sobre as duas medidas vem do UBS BB, que as classifica como “ligeiramente positivas” para os bancos. O Goldman Sachs destaca o benefício para instituições com maior exposição a cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia. O JPMorgan concorda com a direção positiva, mas questiona se uma nova rodada de renegociação conseguirá produzir efeitos mais duradouros sobre a inadimplência.

No Desenrola especificamente, o Bradesco BBI avalia a terceira versão como ainda mais favorável aos bancos do que a anterior e estima impactos potencialmente relevantes para Nubank (BDR: ROXO34) e Inter (BDR: INBR32).

Desenrola 3.0 mira até R$ 150 bilhões

O Desenrola 3.0 altera de forma relevante o mecanismo adotado anteriormente. Em vez de principalmente incentivar bancos e clientes a renegociarem as dívidas, o novo modelo está estruturado em torno da aquisição de carteiras inadimplentes dos credores.

Pela medida, o Ministério da Fazenda poderá contratar Banco do Brasil (BBAS3) ou Caixa Econômica Federal para estruturar e administrar o veículo responsável pela aquisição das carteiras. O limite de gastos do governo será de R$ 15 bilhões, enquanto as operações deverão ter desconto de pelo menos 90%. Com isso, o Bradesco BBI calcula que o valor de face das carteiras adquiridas poderia alcançar cerca de R$ 150 bilhões.

As dívidas elegíveis precisam estar vencidas há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias, intervalo de aproximadamente dois a quatro anos e meio, e cada dívida não poderá superar R$ 10 mil. Embora a medida provisória já esteja em vigor, a implementação ainda depende da regulamentação do Ministério da Fazenda, que estabelecerá as regras e os requisitos do programa. Segundo o BBI, a expectativa do governo é de estreia em novembro.

Para o Goldman Sachs, o novo desenho oferece aos bancos um mecanismo rápido para resolver créditos que estão inadimplentes há períodos prolongados e, por isso, é positivo especialmente para instituições mais expostas ao crédito sem garantia.

Fonte: Infomoney

 

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