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24 de novembro de 2025A Caixa Econômica Federal é um dos maiores bancos públicos do país e um dos principais empregadores do setor financeiro brasileiro. O banco é o principal responsável pela execução dos programas sociais do Governo Federal, que visam combater a desigualdade social e econômica no país. No entanto, um levantamento realizado pelo Dieese, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ambos do Ministério do Trabalho e Emprego, revela que o banco reproduz em seu ambiente as profundas desigualdades estruturais do mercado de trabalho no país, especialmente quando se analisam cor, raça, renda e oportunidades de ascensão profissional.
“O levantamento do Dieese escancara um cenário que exige ação urgente da empresa e atenção permanente das entidades representativas dos trabalhadores na cobrança de ações da Caixa para acabar com a desigualdade”, disse a representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Fetrafi) do Nordeste na Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Chay Cândida, que é militante do movimento negro em Recife. “E, neste caso, é preciso ressaltar que nos referimos especificamente à desigualdade racial. Ou seja, é uma batalha contra o racismo, que faz parte da luta geral contra a desigualdade”, completou.
Dados da desigualdade racial na Caixa
Segundo os dados da Rais, 68,5% dos empregados da Caixa são brancos, somente 3,8% são pretos e 23,4% pardos. Nos cargos e faixas de remuneração mais altas (acima de 10 salários mínimos), essa desigualdade se intensifica:
• Pessoas brancas representam mais de 72% dos salários entre 10 e 20 salários mínimos.
• E mais de 74% entre os que ganham acima de 20 salários mínimos.
• Pessoas pretas são apenas 3% nesses grupos.
A disparidade é ainda mais grave para mulheres negras, que formam o grupo com menor presença nas faixas salariais elevadas, evidenciando não apenas desigualdade racial, mas também de gênero.
Desigualdade salarial persiste
Os dados de movimentação do Caged mostram aumento do número de empregados e empregadas pretas (529) e pardas (2.325) de 2020 a 2025. O saldo para trabalhadores brancos foi negativo (-983). Entretanto, o avanço proporcional não se traduz em igualdade salarial.
A remuneração média revela:
• Homem Negro: R$ 4.229,37
• Homem Não Negro: R$ 5.563,38
• Mulher Negra: R$ 3.895,45
• Mulher Não Negra: R$ 5.384,96
Ou seja, trabalhadores negros seguem ganhando menos, mesmo com a ampliação de contratações.
Fonte: SP bancários

