Em São Paulo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) celebrou o mês das mulheres, nos dias 27 e 28/3, com o Seminário Nacional do Movimento Mulher CONTEC — Em defesa da equidade de gênero e do fortalecimento da representação sindical feminina. O evento reuniu mais de 180 pessoas, entre bancárias e bancários, para debater temas como equidade de gênero, assédio e saúde mental no trabalho.
Neste ano, a CONTEC inovou ao convocar mulheres e homens, das federações filiadas, para celebrar o mês das mulheres. Uma forma de valorizar a equidade de gênero — com a participação paritária — e fortalecer a presença feminina no meio sindical.
Para Lourenço Prado, Presidente da CONTEC, a iniciativa representa um novo momento de empoderamento feminino na Confederação.
“Ao promover este seminário para celebrar o mês das mulheres, a CONTEC inova ao valorizar a participação paritária entre homens e mulheres. Inclusive foi um dos critérios para participação das federações. Vamos dar exemplo. Nossa categoria é a mais avançada no setor financeiro, e nós podemos começar a trilhar o caminho de respeito e valorização que sonhamos para as mulheres, para todos nós. Seja no trabalho, na família ou no sindicato”, enfatizou Prado.
Somente a união de mulheres e homens pode transformar o mundo. Aqui somos todos sindicalistas e precisamos combater o assédio e a imoralidade no setor bancário. Meu desejo é que hoje possam sair daqui agentes de transformação. Temos que trazer mulheres para a linha de frente. E se depender de mim, a nossa gota já está no oceano. Temos que andar juntos. Vamos trabalhar para o mundo que queremos”, conclamou Maria Leiza Torres, diretora de Finanças da CONTEC.
“Esse evento marca o início da construção de um trabalho que precisará do apoio de todos, homens e mulheres, na luta contra a discriminação, o preconceito, a injustiça e a violência, que infelizmente acontece em maior proporção contra as mulheres”, disse Carla Regina Flores , coordenadora do Movimento Mulher CONTEC.
O seminário conquistou a aprovação unânime dos participantes, que destacaram o ineditismo e a relevância da proposta. A iniciativa inovadora não apenas cumpriu com seu objetivo de fortalecer e capacitar as mulheres bancárias e securitárias, mas também se consolidou como um marco no movimento sindical, ao promover uma discussão profunda sobre a igualdade de gênero no ambiente de trabalho.
Primeiro dia de seminário – Resumo das palestras
Palestra: O Papel da Mulher no Contexto da Proteção Previdenciária
Palestrante: Jarbas Antonio de Biagi — advogado, diretor-presidente da UNIABRAPP, professor da Universidade Paulista (UNIP/SP) e da UNIABRAPP. Membro do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), autor de diversas obras sobre previdência complementar e dirigente de fundos de pensão.
Em seu discurso, Jarbas ressaltou a importância da Previdência Complementar como um vetor essencial de inclusão e dignidade, destacando o papel fundamental que ela desempenha na garantia de um futuro financeiro seguro e equilibrado para todos os trabalhadores, independentemente de gênero ou classe social.
Palestra: Mulheres protagonistas. Rompendo barreiras
Palestrante: Maria Rita Serrano — Consultora do DIAP. Ex-presidente da Caixa e do Sindicato dos Bancários do ABC. Autora de vários livros e artigos. Conselheira de Administração. Doutoranda em Administração. Considerada uma das mulheres mais influentes do Brasil e da América Latina, segundo a Bloomberg Línea de 2023.
Durante a palestra, Rita ressaltou como as mulheres, apesar de suas grandes conquistas ao longo da história, ainda enfrentam obstáculos significativos, tanto no ambiente de trabalho quanto nas instituições sindicais. Ela enfatizou a necessidade urgente de transformação, destacando que as mulheres devem ocupar mais espaços de decisão e garantir voz ativa na construção de políticas que realmente atendam às suas necessidades.
Rita também abordou a importância do empoderamento feminino e da solidariedade entre as mulheres
Palestra: As desigualdades de gênero e o lugar de fala das mulheres no movimento sindical
Palestrantes: Rita de Fátima Leme e Sueli Vitorino de Jesus Barbosa, formadora no Curso de Comunicação e Expressão do DIEESE.
Sueli Vitorino é psicóloga e educadora popular com longa trajetória dentro do movimento sindical, diversos movimentos populares e nas comunidades eclesiais de base.
Rita de Fátima Leme é psicóloga efetiva na Maternidade Amador Aguiar, da Prefeitura de Osasco. Anteriormente foram décadas de atuação no movimento sindical, particularmente no trabalho de formação.
As psicólogas abordaram, de forma dinâmica, as desigualdades de gênero e o impacto disso na representatividade feminina nas decisões e políticas sindicais. A falta de espaço para a voz das mulheres, como uma das principais barreiras para a equidade no movimento, também foi explorada. As psicólogas enfatizaram a necessidade de discutir formas de transformar essa realidade, permitindo que as mulheres possam exercer sua liderança, expressar suas necessidades e lutar pelos seus direitos de maneira plena.
Palestra: O Poder da Saúde Mental no Ambiente de Trabalho
Palestrante: Dra. Cathana Freitas de Oliveira – Psicóloga, Doutora em Saúde Coletiva pela UNICAMP
Mestre em Psicologia Social, atualmente trabalha como pesquisadora junto à Unicamp a partir do Lab. ESTER – Laboratório de Estudos sobre Saúde e Trabalho.
A especialista enfatizou que a saúde mental no trabalho não deve ser negligenciada e que as empresas têm a responsabilidade de adotar práticas preventivas e apoios adequados para os colaboradores. Ela sugeriu que a promoção de um ambiente saudável pode ser alcançada com o diálogo aberto, o empoderamento emocional dos funcionários e a valorização de seu bem-estar.
Cathana enfatizou que “o trabalho é protetor da saúde mental, contribuindo para um senso de identidade, realização, confiança ou ganhos. No entanto, o desemprego e condições de trabalho negativas podem exacerbar os sintomas de saúde mental existentes ou contribuir significativamente para o agravamento da saúde mental ou sua recuperação”. Ela apresentou números alarmantes de ansiedade, depressão ou outro tipo de transtorno mental.
A psicóloga ainda mencionou a importância da ratificação da Convenção 190, que é crucial para a criação de ambientes de trabalho mais saudáveis e seguros, especialmente em um contexto onde a pressão por resultados e as mudanças no mercado de trabalho podem aumentar os níveis de estresse e ansiedade entre os trabalhadores. Ao proteger a saúde mental no ambiente de trabalho, a convenção contribui diretamente para a construção de um sindicalismo mais inclusivo e responsável, que leva em conta o bem-estar de todos os trabalhadores.
Segundo dia de seminário – Aprovação da Carta de São Paulo, apresentação da Cartilha do Movimento e Conquistas Femininas na ACTs e CCTs
No segundo dia do seminário, teve um momento histórico com a aprovação da Carta de São Paulo – Movimento Mulher CONTEC, um documento que expressa as intenções de mudanças urgentes e necessárias para as mulheres bancárias. Este documento, que ainda está em construção, destaca as principais demandas e reivindicações das mulheres que atuam no setor bancário e financeiro, abordando questões que vão desde igualdade salarial, melhoria nas condições de trabalho até a valorização da mulher dentro das instituições financeiras.
Cartilha – Direitos que toda mulher deveria saber que tem
Carla Flores, coordenadora do Movimento Mulher CONTEC, apresentou a Cartilha sobre direitos das Mulheres, um guia prático essencial com as principais leis que toda mulher deveria saber que tem. A cartilha foi desenvolvida, pelo Movimento Mulher CONTEC, com o objetivo de informar e empoderar as mulheres, fornecendo um panorama claro sobre os direitos legais que garantem sua proteção e igualdade em diversas áreas, incluindo o mercado de trabalho, saúde, violência doméstica e direitos sociais.
Conquistas femininas na ACTs e CCTs
O presidente da CONTEC, Lourenço Ferreira do Prado, realizou uma exposição sobre os “Direitos das Mulheres conquistados em ACTs (Acordos Coletivos de Trabalho) e CCTs (Convenções Coletivas de Trabalho)”. Lourenço destacou os avanços significativos que as mulheres conquistaram ao longo do tempo nas negociações coletivas e o impacto positivo dessas conquistas no mercado de trabalho.
Por Leidiane Silveira
Em breve, vamos disponibilizar a galeria completa de fotos! Aguardem.
Imagens: Eduardo Bacani
Organizadores:
Maria Leiza Torres – Diretora de Finanças CONTEC
Carla Flores – Coordenadora Movimento Mulher CONTEC
Jéssica Alencar – Assessora de Comunicação CONTEC
Leidiane Silveira – Jornalista
Márcia Freitas – Jurídico CONTEC