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22 de fevereiro de 2017Contas de energia vão ficar mais caras, previsto aumento de 7,17%
TQ BAHIA PAULO AFONSO 04.11.2015 METRÓPOLE ESPECIAL DOMINICAL EXCLUSIVO EMBARGADO COP ONU Cenas da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso na cidade de mesmo, na divisa com o Estado de Alagoas. Imagens aéreas, detalhes do canion próximo a ponte de metal e detalhes da vegetação e das linhas de transmissão de energia. FOTO TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
Contas de energia vão ficar mais caras por causa de indenizações
Em todo o país, a indenização deverá pressionar as contas em 7,17%. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) bateu o martelo nesta terça-feira (21) sobre uma conta de R$ 62,2 bilhões para pagamento de indenizações a transmissoras de energia e que deverá ser cobrada pelas contas de luz aos consumidores até 2025.
Em 2012, ao determinar a redução das contas de luz em 20%, a ex-presidente Dilma Rousseff renovou os contratos de geração e transmissão de energia reduzindo a receita dessas empresas. No caso das transmissoras mais antigas, o governo reconheceu que parte dos investimentos não foi amortizada e, portanto, as empresas teriam direito a indenizações. Foi com base nessa premissa que muitas transmissoras decidiram aderir à proposta de renovação de contratos com receita menor.
No Rio de Janeiro, a estimativa da Light é que a indenização a transmissoras tenha impacto de 4,53 pontos percentuais na tarifa. A estimativa da Aneel é que a distribuidora terá reajuste de 12,36% para todas as categorias de consumidores (residencial, comercial e industrial). A previsão do mercado para o aumento da tarifa residencial é de 8,55%.
Em todo o país, a indenização deverá pressionar as contas em 7,17%, mas isso não significa que a conta ficará 7,17% mais cara. O valor final do reajuste dependerá de outros fatores que interferem na tarifa e isso varia de acordo com cada distribuidora.
Apesar de cumprida pela agência, a decisão desagradou a todos os envolvidos: consumidores, transmissoras e até a própria diretoria da agência, que apresentou críticas à decisão do governo federal sobre como conduziu o processo.
“Quem vai pagar gostaria de pagar menos e quem vai receber gostaria de receber mais. Também temos essa preocupação, mas estamos simplesmente cumprindo as obrigações legais. Para a Aneel, não restou alternativa, que não fosse aplicar o que foi estabelecido. A preocupação é grande”, disse Reive de Barros, diretor da Aneel que relatou o processo.
A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace) bem que tentou amenizar esse impacto, mas não teve praticamente nenhum pleito atendido pela Aneel. A entidade não descarta recorrer à Justiça.
“Se não conseguirmos na sustentação oral, o caminho é a Justiça”, disse Edvaldo Santana, presidente da Abrace, antes da decisão.
O valor será o valor total pago em indenizações a transmissoras de energia por consequência da renovação antecipada dos contratos em 2012, para se reduzir as tarifas em 20%.
A conta chegou cinco anos depois e vai perdurar até 2025, incidindo sobre as tarifas. Nem mesmo as transmissoras estão satisfeitas com a decisão, porque acreditam que deveriam receber mais.
“É uma devolução do que nos tiraram em 2012”, disse Mario Miranda, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate).
O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, destacou que parte das críticas da Abrace se refere a competências do governo, que não poderiam ser revisadas pela agência reguladora. Ele reconheceu que a demora na decisão potencializou seus efeitos e criticou a instabilidade e insegurança geradas por esse lapso de tempo.
Miranda destacou que a demora no pagamento prejudicou a participação das transmissoras em leilões de linhas de transmissão, prejudicando os próprios consumidores por limitar a concorrência pela construção de linhas. Rufino reconheceu o efeito no mercado.
HERANÇA DO PASSADO
O custo que agora se apresenta ao consumidor é reflexo de decisões passadas do setor de energia. Por um lado, a Eletrobras acabou participando com suas subsidiárias, sob pressão do governo, dos leilões de construção das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. O incentivo foi motivado pelo desejo do governo de fazer grandes projetos saírem do papel.
Além disso, o governo lançou em 2012 a Medida Provisória (MP) 579, que tentou baixar à força o preço da energia no país, com uma proposta de renovação antecipada dos contratos do setor em troca de tarifas menores. Nesse contexto, o valor dos ativos da Eletrobras despencou. E a empresa celebrou contratos em que se comprometia a vender energia elétrica a R$ 9 o megawatt hora (MWh), preço 92,5% menor que a média de R$ 120 praticada pelo setor hidrelétrico.
EMPRESAS COM MAIS RECURSOS A RECEBER
As empresas com mais recursos a receber são Furnas e Chesf, ambas ligadas à Eletrobras. Barros, diretor da Aneel apresentou relatório favorável ao pagamento a partir de julho.
Depois de apresentado seu voto, porém, Barros apresentou firme crítica à política do governo para o pagamento da indenização. Segundo ele, o atraso no pagamento incrementou a conta em R$ 35 bilhões, que é o custo financeiro dentro da conta total.
“O fato de não ter sido pago naquela época imputou hoje valor considerável para o consumidor, que não teve gestão na decisão de pagar ou não”, disse Barros.
Fonte – O Globo

