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1 de abril de 2021
Interferência do governo ‘passou do limite’, diz ex-presidente do conselho do BB
5 de abril de 2021É a terceira vez que grupo publica manifestação contrária ao processo de sucessão de André Brandão
Os conselheiros independentes do Banco do Brasil (BB) voltaram à carga com uma nova manifestação na qual criticam o processo de sucessão no comando da instituição financeira. No documento, apontam que Fausto Ribeiro, indicado pelo Ministério da Economia para assumir a presidência do BB, “não percorreu ainda todas as etapas de funções gerenciais” que seriam desejáveis para assumir o cargo máximo.
Ribeiro, que era desde setembro presidente da BB Consórcios, não estava entre os elegíveis para assumir a presidência conforme o programa sucessório adotado pelo BB, desenvolvido pela consultoria Korn Ferry.
O texto é assinado pelo presidente do conselho, Hélio Magalhães, e pelos conselheiros independentes José Guimarães Monforte, Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima. Os dois primeiros foram indicados pela União e os dois últimos, pelos minoritários.
As declarações constam de ata de reunião extraordinária do conselho realizada na noite de quarta-feira, depois que o Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade do banco declarou que Ribeiro atende os requisitos objetivos para assumir a presidência do BB.
O Valor noticiou no início desta semana que os conselheiros tinham a intenção de divulgar texto com críticas à escolha do executivo. É a terceira vez que esse grupo de conselheiros publica manifestação contrária ao processo de sucessão de André Brandão. O executivo se desligou da presidência do banco formalmente na quarta-feira, mas esteve a ponto de ser demitido pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro por causa de um programa de eficiência que incluía, entre outros pontos, o fechamento de agências bancárias.
“Ao trazer à baila a Política de Indicação e Sucessão, observa-se que o ora indicado, sem qualquer demérito ao profissional e à sua carreira de 33 anos no BB, não percorreu ainda todas as etapas de funções gerenciais, o que não significa dizer que, ao vir a fazê-lo, não poderia se colocar em nível de prontidão para assunção de novos desafios futuros”, afirmam na ata. “Ferramentas para tanto existem, a exemplo do Programa Dirigentes, criado a partir de metodologia da consultoria global Korn Ferry, e que tem por objeto a identificação do nível de prontidão e preparação dos talentos da organização para o adequado planejamento sucessório para a alta liderança do Banco do Brasil, as quais poderiam ter sido chamadas a contribuir em momentos como esse de sucessão da Presidência da instituição.”
Os conselheiros destacam que, embora a escolha do presidente do banco seja formalmente uma atribuição da presidência da República, há “legislação e interpretações mais avançadas para o tema, cuja aplicação, em não sendo possível no caso concreto, deve, contudo, ser perseguida pelos guardiões das boas práticas de governança corporativa”.
Para os conselheiros, seria muito mais razoável e desejável a aplicação de artigo da Lei das S.A. que atribui ao conselho de administração eleger e destituir os diretores da companhia. Eles também lembram que as sociedades de economia mista são,
conforme a Lei das Estatais, sujeitas à legislação societária.
O grupo também aponta as Diretrizes sobre Governança Corporativa para Empresas Estatais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que recomendam que os conselhos das companhias públicas tenham “competência e objetividade necessárias para realizar as suas funções de orientação estratégica e monitoramento da gestão”, inclusive o poder de indicar e destituir o presidente.
Nesta semana, a União apontou os nomes indicados para compor o conselho do BB, e decidiu não reconduzir Magalhães e Monforte. Os executivos já vinham dando sinais de que não pretendiam continuar no colegiado por descontentamento com a troca de Brandão – que ficou apenas seis meses na presidência do BB – e a forma como foi feita.
A nova composição do colegiado terá um perfil mais estatal e sem grandes nomes de mercado, diferentemente do que era o plano no início do governo Bolsonaro. Magalhães, que é ex-presidente do Citi no Brasil, deverá ser substituído pelo secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, na presidência do conselho.
Fonte: Valor.globo

