Como rede Ricardo Eletro foi de 1.200 lojas e 28 mil empregados à falência
A justiça de São Paulo decretou nesta quinta-feira (9) a falência da Máquina de Vendas, dona da marca Ricardo Eletro. Na noite de sexta, o decreto foi suspenso por um despacho da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial de São Paulo, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O relator, o desembargador Maurício Pessoa, afirmou no despacho que o processo de recuperação judicial deveria prosseguir.
A empresa já foi uma gigante do varejo, com mais de 1.200 lojas, faturamento de R$ 9,5 bilhões e 28 mil funcionários. Fundada pelo empresário Ricardo Nunes, em 1989, a companhia enfrentou uma série de dificuldades financeiras a partir de 2015, e Nunes foi acusado de sonegação de impostos.
O juiz do processo de falência definiu que o grupo não teria mais viabilidade econômica e que houve um esvaziamento patrimonial da operação, especialmente depois do fechamento das lojas durante o período de pandemia. Segundo o atual presidente e controlador da empresa, Pedro Bianchi, a decisão foi uma “surpresa muito grande”. A companhia recorreu.
A Ricardo Eletro hoje tem apenas um e-commerce, mas com poucos produtos disponíveis. Existem várias categorias no site, mas muitas delas não têm nenhum item à venda. É o caso de eletrodomésticos, que era o produto principal da companhia. Todas as lojas físicas foram fechadas em 2020.
Fundador deixou empresa em 2019 e virou ‘coach’
Nunes já não está à frente da Ricardo Eletro desde 2019, quando vendeu sua participação para o empresário Pedro Bianchi, então sócio do fundo Starboard.
O antigo dono partiu então para a vida de “coach” de empreendedorismo e carreira, dando palestras para empresas. Ele tem 170 mil seguidores no Instagram.
Nunes fundou a Ricardo Eletro em Divinópolis (MG). Dez anos depois, em 1999, a empresa chegou a Belo Horizonte e começou um processo de expansão. A partir de 2002 abriu lojas fora de Minas Gerais, começando pelo Espírito Santo.
Em 2009, lançou seu e-commerce com 80 mil produtos. No ano seguinte, a Ricardo Eletro se fundiu com a varejista Insinuante, criando o grupo Máquina de Vendas.
Sonegação de impostos e recuperação judicial
Depois de a empresa atingir faturamento de R$ 9,5 bilhões, em 2014, os problemas financeiros começaram, coincidindo com o período de recessão econômica do Brasil.
Em 2018, veio a recuperação extrajudicial —graças aos bilhões em empréstimos tomados com bancos e fornecedores. O processo tinha como objetivo recuperar a saúde financeira da empresa, para que ela voltasse as trilhos.
Com Nunes já fora da companhia, Bianchi decidiu, durante a pandemia, largar seu cargo na Starboard para focar totalmente na Máquina de Vendas. A pandemia complicou o cenário da já combalida Máquina de Vendas, que decidiu fechar todas as lojas.
Resultado: a receita da empresa foi minguando, de R$ 180 milhões mensais em 2019 para praticamente zero.
Para completar, por dívidas tributárias, o fundador da empresa, Ricardo Nunes, foi preso em 2020, acusado de sonegar impostos quando ainda estava na companhia. Na época, a investigação apontou que sonegação era “política empresarial” na empresa. Nunes acabou ficando só um dia na cadeia.
A frente da empresa, Bianchi tentou renegociar as dívidas da companhia, que chegam a R$ 4 bilhões, além de mais R$ 1 bilhão em impostos. Mas a empresa acabou entrando com pedido de recuperação judicial em 2020.
Mais recentemente, a Máquina de Vendas passou por uma reestruturação. De 28 mil funcionários no auge, reduziu a operação para 40 pessoas.
Também mudou sistema usado no seu e-commerce, na esperança de que as vendas online representassem o início da retomada da empresa.
A ideia era, inclusive, retomar a operação de lojas físicas em 2023. Para Bianchi, os planos continuam mesmo com a decisão de falência decretada pelo juiz.
Fonte : Estadão
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