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8 de julho de 2022Para driblar a fome, que se agravou com a crise econômica prolongada, e fugir da inflação dos alimentos, milhares de famílias brasileiras estão consumindo alimentos ultraprocessados, como salsichas, linguiças e macarrão instantâneo, que são mais baratos, mas de baixo valor nutricional, e o que é pior, provocam doenças crônicas nos rins, além de diabetes, hipertensão, obesidade, desnutrição e câncer.
A quantidade de produtos processados e ultraprocessados consumidos pode ser medida, em parte, pelo lucro da indústria de biscoitos, massas alimentícias e pães e bolos industrializados de R$ 50,44 bilhões no ano passado – um aumento de quase R$ 6 bilhões em relação a 2020 e quase R$ 10 bilhões a mais em comparação ao ano de 2019. Ou seja, em dois anos, o lucro dessas empresas aumentou mais de 20%.
Ressalve-se que nem toda produção dessas empresas é de alimentos processados e ultraprocessados, mas no ano passado, a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), já estimava que o faturamento deveria subir entre 5% e 10%, impulsionado pela venda do macarrão instantâneo, um produto considerado pelos nutricionistas prejudicial à saúde pela alta concentração de sódio e outros conservantes.
A nutricionista Sheila Araújo Costa, da prefeitura da capital paulista e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de São Paulo (Sindsep), diz que a obesidade aumentou muito durante a pandemia, devido ao sedentarismo, a crise econômica e à alimentação de baixa qualidade, com pouco consumo de frutas e verduras.
“A carcaça de frango é gordura, imagine o tanto de gordura consumida que aumenta o risco de câncer. A nutrição recomenda preparar alimentos sem gordura para não penetrar na carne. A salsicha também traz esse risco, mas as pessoas compram por ser mais barata do que a carne”, diz a nutricionista.
A distribuição de ossos de bois chocou parte da população brasileira, e ainda teve gente que quis lucrar ainda mais sobre a fome. Um supermercado chegou a colocar à venda, por R$ 2,99, a pele de frango. A repercussão negativa fez o estabelecimento retirar o produto da prateleira.
Fonte : G1

