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13 de fevereiro de 2019Presidente define que homens poderão pedir a aposentadoria aos 62 anos e as mulheres, aos 57. Secretário da pasta, Rogério Marinho diz que texto a ser apresentado ao chefe do Executivo está ‘bem diferente’ da minuta vazada no início de fevereiro.
O secretário de Previdência, Rogério Marinho, diz que a intenção é apresentar o texto da reforma a Bolsonaro o mais rápido possível: hoje ou amanhã(foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
As idades foram anunciadas pelo presidente no início de janeiro, mas o Palácio do Planalto negou, a pedido da equipe econômica — os técnicos disseram que seria apenas uma das possibilidades em estudo. Em reuniões com prefeitos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também teria dito que homens se aposentariam com 62 anos, enquanto mulheres, aos 57. Mas ele tem a intenção de elevar a idade para 65 anos nos dois gêneros.
Na prática, as idades mínimas passarão a valer em 2022, ou seja, no último ano de mandato do presidente. A equipe econômica quer, porém, que haja uma ampliação dos números nos próximos anos. A regra de transição deve ser de algo entre 10 e 15 anos, sendo que, ao fim desse período, tanto homens quanto mulheres poderão se aposentar com 65 anos.
Mas, a depender de Bolsonaro, os cortes na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) podem reduzir os ganhos fiscais. A reforma ainda precisa ser discutida no Congresso Nacional e pode sofrer modificações que atenuem as medidas. Os economistas de mercado ressaltam que as alterações dos parlamentares podem diminuir os gastos em R$ 500 bilhões ao caixa do Tesouro Nacional no período de uma década. Uma “boa” reforma permitirá economia de R$ 800 bilhões no mesmo intervalo de tempo, segundo analistas.
Automático
averá um dispositivo na proposta que prevê alteração automática nas idades mínimas para garantir o equilíbrio do sistema no futuro, sem a necessidade de aprovar uma nova emenda constitucional. Ele será baseado na expectativa de vida dos brasileiros. A reforma que será enviada ao Congresso Nacional também estabelece contribuições previdenciárias diferenciadas de acordo com a renda. Atualmente, a alíquota varia de 8% a 11% e deve passar de 7,5% para 14%.
O presidente tem todo o apoio da ala política do Palácio do Planalto, que considera esse projeto mais palatável. Além disso, Bolsonaro vai testar, no Congresso, o grande capital político pós-eleições. A reforma da Previdência é um tema prioritário, mas deve demorar para ser aprovada. A intenção inicial de Paulo Guedes era que o texto fosse sancionado logo depois do primeiro semestre, o que não deve ocorrer.
O governo federal não deve utilizar a PEC de reforma enviada por Michel Temer em 2017 e que já passou pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Isso poderia dar celeridade aos trabalhos na Casa, mas, como Guedes quer alterar o regime, implementando a capitalização — espécie de poupança, em que cada pessoa contribui para receber no futuro o valor que investiu —, preferiu encaminhar uma nova proposta.
O secretário de Previdência, Rogério Marinho, ressaltou que o texto está “bem diferente” da minuta que foi vazada no início de fevereiro. Ele disse que a conclusão do texto-base ocorreu após meses de esforços e negociações com os ministérios. “Nós vamos aguardar a convalescença do presidente para que ele possa opinar sobre o texto em definitivo que será enviado ao Congresso Nacional”, afirmou. “Evidentemente, existem pontos que serão levados ao presidente para que ele possa tomar a sua posição e definir como chegará à Câmara.”
Na regra de transição elaborada pela equipe econômica, será usado o cálculo da soma da idade e do tempo de contribuição. Em 2022, a soma exigida subiria dos atuais 86 pontos (mulheres) e 96 pontos (homens) para 87 e 97, respectivamente. Essa conta considera tempo de contribuição de 30 anos para mulheres e 35 anos para homens. Hoje, a soma da idade com o tempo de contribuição é usada como critério para direito à aposentadoria integral (respeitado o teto do INSS, e R$ 5.839,45). No futuro, porém, a regra seria usada para garantir o direito à aposentadoria.

