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28 de setembro de 2018Autoridade monetária também aumenta a expectativa de inflação e reitera que juros podem voltar a subir se agenda de reformas for abandonada
No documento, o BC elevou de 4,2% para 4,4% a perspectiva de inflação para 2018, abaixo do centro da meta, de 4,5%. Para 2019, a taxa prevista para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,1% para 4,5%, acima da meta, de 4,15%. O intervalo de tolerância está em 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo em ambos os casos. Esses dados consideram as projeções da taxa básica da economia (Selic) e de câmbio constantes. A previsão para o dólar passou de R$ 3,70, no relatório de junho, para R$ 4,15, no deste mês.
Ao apresentarem o relatório, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, e o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Viana de Carvalho, afirmaram que as projeções ainda dependem de uma série de variáveis para serem concretizadas, como as reformas. Eles reiteraram, assim, as afirmações dos documentos divulgados após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada. O Copom manteve a Selic em 6,5% ao ano pela quarta vez seguida, mas indicou que pode retomar a alta dos juros em caso de piora nos cenários interno e externo.
“A conjuntura econômica ainda prescreve uma política monetária mais estimulativa, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Esse estímulo começará a ser removido gradualmente, caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária ou seu balanço de riscos apresentem piora”, reforçou Goldfajn.
“É importante ressaltar que essas estimativas pressupõem a continuidade de reformas”, frisou Viana, citando a ata do Copom, que deixou a porta aberta para a elevação dos juros se houver sinais de que a agenda reformista será abandonada pelo vencedor das eleições presidenciais de outubro.
Ritmo gradual
Viana lembrou que o cenário apontado no relatório contempla a continuidade da recuperação econômica em ritmo mais gradual, e o cenário externo “desafiador, devido aos riscos associados à normalização de taxas de juros de algumas economias avançadas e incertezas referentes ao comércio global”. Segundo ele, o apetite dos investidores em relação aos países emergentes diminuiu, e o desafio para a economia brasileira será ancorar as expectativas do mercado daqui para frente.
Para analistas, não houve surpresas, tanto que o a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) subiu 1,71%, retomando os 80 mil pontos, e o dólar caiu 0,79%, para R$ 4. “O relatório repetiu o que estava na ata do Copom. Os resultados nas nossas simulações mostram que o movimento dos caminhoneiros não teve impacto muito forte nos preços e, portanto, o cenário continua tranquilo para este ano. O importante é prestar atenção para o próximo ano, se houver muita pressão no câmbio”, destacou Jankiel Santos, economista-chefe do banco Haitong.

