
JUSTIÇA DETERMINA QUE CAIXA PRORROGUE OU PAUSE DÍVIDAS DE CLIENTES
27 de maio de 2020
BANCOS TERÃO DE SE EXPLICAR SOBRE POLÍTICAS DE JUROS DURANTE PANDEMIA
27 de maio de 2020Bancária, que trabalha no Itaú desde 1991, foi dispensada em agosto de 2019 e reintegrada em março de 2020 (Por Elenice Santos)
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região conseguiu, na Justiça, anular a demissão e reintegrar uma bancária dispensada pelo Itaú no período pré-operatório para tratar Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e trombose decorrentes do trabalho. Hoje ela sofre com dores nos punhos, cotovelos, ombros, além de problemas nas colunas cervical, dorsal e lombar, estresse, ansiedade e síndrome do pânico.
Segundo Carlos Damarindo, secretário de Saúde e Condições de Trabalho, o Sindicato fez várias tentativas de reintegrá-la administrativamente, porém, o banco se recusou e apostou que não haveria uma ação trabalhista.
“Teria sido muito mais digno se o Itaú tivesse cancelado a demissão e reparado os danos causados à bancária. Porém a empresa se negou. Então, conseguimos provar na Justiça que o banco agiu de má fé, pois a demissão ocorreu em um momento em que ela se tratava de doenças decorrentes do trabalho e se preparava para mais duas cirurgias. Por isso, é importante os bancários fortalecerem e estarem juntos ao Sindicato”, diz o secretário de Saúde.
A bancária – que trabalha no banco Itaú desde 1991, foi desligada em agosto de 2019 e reintegrada em março de 2020 – diz que só conseguiu com a orientação do Sindicato. “O Sindicato não age sozinho, e nem a gente, ele foi um ponto de apoio primordial na minha batalha. Resisti a toda humilhação por parte dos médicos do banco e do INSS e só persisti porque eu gosto do meu trabalho, queria muito retornar, e o Sindicato esteve comigo o tempo todo. Através da minha luta eu espero que outros bancários, assim como eu, não desistam de seu emprego. Hoje estou feliz e me sinto preparada para fazer o que sempre fiz com muito carinho e dedicação: atender os clientes do banco”, diz.
Entenda o caso
A bancária entrou no banco em 1991 e, após dois anos de atividades, desenvolveu LER nos punhos, cotovelos, ombros, além de problemas nas colunas cervical, dorsal e lombar.
“Os primeiros sintomas da LER apareceram em meados de 1993, com as crises de dores fortes e inchaço, naquela época os médicos tratavam como tendinite. Imobilizavam o membro afetado com gesso e receitavam medicamentos, eu ficava de dois a três dias em casa. Tirava o gesso e voltava ao trabalho, isso foi sendo repetido por algumas vezes. Cheguei até a me entupir de analgésicos e anti-inflamatórios para não me ausentar do trabalho”, diz a bancária.
Ela ainda relata que cinco anos mais tarde, em 1998, teve uma crise mais forte e parte do corpo paralisado. “Acordei no meio da noite com o lado esquerdo paralisado, a dor era tão intensa que não conseguia mexer o braço e pensei que fosse infarto. Fomos para o pronto-socorro e o médico me disse que as dores eram decorrentes da LER”, diz.
A bancária comenta que após os exames, abriu Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), e foi encaminhada ao INSS, afastando-se do trabalho até 2007, quando começaram as altas programadas.
“Nesse período, eu não tive condições psicológicas de voltar. Passei por longos quatro anos sem assistência por parte do banco, sem salário e sem nenhum tipo de auxílio por parte do INSS e isso, me levou ao fundo do poço. Contava somente com as orientações do Sindicato e seus advogados que ingressaram com um processo contra a Previdência, que continua tramitando até hoje (12 anos e 7 meses), já obtivemos êxito em Pericia no IMESC, êxito em duas instâncias e aguardo o final que acredito estar bem próximo”, e acrescenta que por conta da pandemia de coronavírus, a conclusão do processo está paralisada.
Problemas não param aí
Ainda segundo a bancária, em 2011, quando retornou ao trabalho, mesmo ainda sob efeito de fortes medicamentos, aguentou o máximo que pode no trabalho. “Os anos foram passando e eu aguentei firme até que em 2014, não deu outra, os problemas com a LER e psicológicos começaram a se agravar ainda mais por conta da pressão e das metas intensas. Fiquei a ponto de surtar”, conta.
Em meio a isso, a bancária ainda lutava para que o INSS reconhecesse a estafa e liberasse o afastamento. O que não ocorreu. E no final de 2015 teve de fazer uma cirurgia.
“Tive outro problema com o banco Itaú. Foi lançado um débito de quase R$15 mil do adiantamento do auxílio-doença. Esse débito foi crescente pois não tinha como fazer o pagamento, já que não havia recebido nada do INSS. Tentei de diversas maneiras resolver, mas sem sucesso. Daí procurei o Sindicato e ele ingressou com outra ação trabalhista. A perícia foi favorável. O processo teve êxito em duas instâncias com reconhecimento do Nexo de Casualidade, Convênio Médico Vitalício e Indenização de 12,5% por perda de força e limitações”, ela ainda acrescenta que por conta da pandemia de coronavírus, a conclusão do processo está paralisada.
Demissão
A bancária ainda relata que em março de 2019 teve de fazer outra cirurgia na lombar. Foi afastada em junho por conta de uma trombose chegando a ficar internada por 5 dias, sendo 4 deles na UTI.
“Voltei a trabalhar no mesmo mês após a cirurgia, me dediquei totalmente para compensar o tempo em que fiquei afastada. Um mês e meio depois, me preparei para mais duas cirurgias: uma na coluna e outra por conta da trombose, fui desligada em agosto de 2019. Sem nenhuma explicação. Procurei novamente o Sindicato e eles conseguiram reverter minha demissão”, relata com emoção a bancária.
“O caso da bancária vai de encontro com a reforma trabalhista. O trabalho do bancário está entre as atividades que mais adoecem. Os bancos jogam muito peso no desmonte dos direitos trabalhistas para terem segurança jurídica, tentando minimizar a responsabilidade. Por isso, reforço a importância da sindicalização, pois só assim, poderemos garantir a resistência e os direitos”, finaliza Damarindo.
(Fonte: Seeb SP)

