Aumentam denúncias de trabalhadores domésticos tratados como escravos

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Aumentam denúncias de trabalhadores domésticos tratados como escravos

O número de trabalhadores resgatados nessas condições deu um salto no país no ano passado; este ano já foram 13 resgates

O Brasil teve um aumento de denúncias de trabalhadores domésticos tratados como escravos.

idoso foi resgatado por auditores fiscais e procuradores do trabalho em condições degradantes. Ele dormia em um cômodo apertado e sem janelas, nos fundos, e não recebia salário. O ex-patrão dava uma quantia por semana.

Vítima: Me pagava R$ 50, R$ 60. Às vezes até R$ 20, R$ 40.
Repórter: E com esse dinheiro o senhor fazia o quê?
Vítima: Eu comprava comida. Comprava ovos, calabresa, arroz, fubá de milho; porque eu gosto muito de fazer mingau.
Repórter: A sua própria comida?
Vítima: Minha própria comida.

Dona Madalena agora mora sozinha em um pequeno apartamento. Ela tem 63 anos e passou 50 trabalhando para uma família em Lauro de Freitas sem receber salário. A idosa foi resgatada há quase um ano, mas ainda espera pela indenização trabalhista e por danos moraisEla sobrevive com ajuda de amigos e com um auxílio mensal de um salário-mínimo pago pelo governo federal aos idosos em situação de vulnerabilidade social.

Pela primeira vez na vida, dona Madalena está experimentando a liberdade. Agora, é ela quem toma as decisões na casa: o que comer, aonde ir, como gastar o dinheiro. O que, para a maioria das pessoas, não tem segredo algum, para ela ainda é um desafio. Esse mundo novo amedronta um pouco, mas com ajuda das assistentes sociais, dona Madalena está, aos poucos, superando essas barreiras.

“Eu rezo de noite, pedindo a Deus para me ajudar, para eu conhecer um bocado de lugares que eu não conhecia. Quero conhecer. Vou conseguir”, conta Madalena Santiago da Silva.

O professor da Universidade Federal da Bahia Samuel Vida diz que o trabalho doméstico semelhante à escravidão reflete a desigualdade racial no país.

“Um dos territórios consagrados para esse exercício da desigualdade é o espaço doméstico. Então, desde o momento da escravidão até o presente, o espaço doméstico sempre esteve fora do alcance do controle social, da crítica, da vigilância, e possibilitou, portanto, a manutenção de práticas absurdas”, explica o coordenador do Programa Direito e Relações Raciais da UFBA.

O número de trabalhadores domésticos resgatados nessas condições deu um salto no país no ano passado – 30; este ano já foram 13 resgates.

“Existem muitas outras pessoas, outros trabalhadoras e trabalhadores, submetidas a essas condições e que não chegam ao nosso conhecimento. É importante que as pessoas tenham coragem e que façam essas denúncias, para que a gente possa chegar nessas pessoas super exploradas”, afirma a auditora fiscal do trabalho, Liane Durão.

Fonte: G1

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