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Audiência Pública na ALESC defende os bancos públicos em SC (13/11/2017)

Audiência Pública sobre “A importância estratégica dos bancos públicos para o estado e municípios catarinenses: em defesa da função social e contra a precarização do trabalho e dos serviços”. Sem banco público a economia catarinense afunda.

A audiência foi realizada na noite de ontem (13/11) n o Auditório Deputada Antonieta de Barros, as 19 h com a presença de diversas entidades sindicais ligadas ao setor bancário.

A Federação dos Bancários de Santa Catarina (FEEB SC), foi representada pelo presidente do Sindicato dos Bancários de Rio do Sul – Mário Sérgio Visentainer, que participou da mesa.

Também esteve presente o Sindicato dos Bancários de Laguna e Região com seu dirigente Rosinaldo Estácio.

Rosinaldo Estácio (SEEB Laguna) e Mário Sérgio Visentainer (SEEB Rio do Sul)

“A audiência pública foi para debater e reforçar a importância da defesa dos bancos públicos foi um pedido do movimento bancário do estado para Frente Parlamentar em Defesa das Empresas Públicas, criada no mês de junho de 2017 na ALESC.

A mesa foi composta pelo parlamentar Cesar Valduga, que também é bancário, representantes de Sindicatos de bancários no estado, bancários da base de Florianópolis e região, associações e federações ligadas a categoria, representantes dos bancos e Dieese. Além das manifestações de repúdio, por parte de todos os representantes, com relação às medidas que visam extinguir os bancos públicos, algumas constatações com relação ao papel que eles desempenham na economia do estado são centrais e afetam a todos”.

A importância dos bancos públicos para os municípios e para o Estado de Santa Catarina foi discutida durante audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (13) pela Comissão de Legislação Participativa da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O encontro reuniu, no Auditório Antonieta de Barros, sindicatos e associações ligadas aos funcionários de instituições financeiras, além de representantes de bancos estatais, como a Caixa Econômica Federal e o Badesc.

Audiência defende bancos públicos como instrumento de desenvolvimento

A importância dos bancos públicos para os municípios e para o Estado de Santa Catarina foi discutida durante audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (13) pela Comissão de Legislação Participativa da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O encontro reuniu, no Auditório Antonieta de Barros, sindicatos e associações ligadas aos funcionários de instituições financeiras, além de representantes de bancos estatais, como a Caixa Econômica Federal e o Badesc.

Os participantes da audiência sugeriram a aprovação de moções em defesa das instituições públicas, a cobrança do posicionamento do governo estadual sobre o assunto, o desenvolvimento de ações sobre a conscientização da importância dos bancos estatais perante à opinião pública, além da realização de debates regionais para mobilizar o maior número possível de bancários.

Responsável pela condução da audiência pública, o presidente da Comissão de Legislação Participativa, deputado Cesar Valduga (PCdoB), considerou que os bancos públicos, como a Caixa, têm um papel social importante e atuam em pequenos municípios, onde instituições privadas não têm interesse. “Atacar os bancos públicos é atacar o financiamento de ações que possibilitam a inclusão social. No Brasil, nossos bancos públicos não dão prejuízo. Não há razão para privatizá-los”, disse.

Números
O economista José Álvaro de Lima Cardoso, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em Santa Catarina, apresentou dados sobre a participação dos bancos públicos na economia do estado. Eles respondem por quase 90% da oferta de crédito, 100% do pagamento de programas sociais, 70% dos empregos na rede bancária, além de pagarem melhores salários que a iniciativa privada. Só o Banco do Brasil, por exemplo, é responsável por 84% do financiamento rural e agroindustrial em Santa Catarina.

“Os bancos públicos concedem crédito com finalidade social e de desenvolvimento”, disse Cardoso. “A privatização desses bancos é uma parte das ações que o atual governo, fruto de um golpe, pretende realizar para destruir o Estado Nacional, a soberania do país.”

Os representantes das entidades ligadas aos bancários demonstraram preocupação com a ameaça de privatização desses bancos e com o fechamento de agências. O secretário-geral da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de Santa Catarina (Fetec-SC), Jacir Zimmer, defendeu a construção de uma agenda estadual, que envolva deputados, prefeitos e vereadores, em defesa dos bancos públicos. Para ele, “o fechamento de uma agência bancária em um pequeno município representa atraso e compromete o desenvolvimento econômico”. O presidente da Associação dos Funcionários do BRDE, Zulmar Faustino, destacou a importância do banco de fomento da Região Sul na concessão de financiamentos de longo prazo para o setor produtivo e repudiou qualquer iniciativa de ataque aos bancos públicos.

O conselheiro da Federação Nacional dos Empregados da Caixa (Fenae) Laércio Silva, destacou a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento do país, em especial durante período de crise. “Não há desenvolvimento de um país sem financiamento público, sem a existência de crédito, em especial nas crises”, resumiu Mauro Salles Machado, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

Mário Sérgio Visentainer (SEEB Rio do Sul) que representou o presidente João Barbosa, da Federação dos Bancários de Santa Catarina, “disse que a ameaça de privatização não é inédita, “mas nunca surgiu de forma tão voraz”. Os representantes da Caixa e do Badesc na audiência, Roney Granemann e Giuliano Barbato Wolf, respectivamente, também defenderam a manutenção de suas instituições como públicas. ”Elas fazem o papel social que as demais instituições financeiras não gostam de fazer”, disse o representante da Caixa.

No estado de Santa Catarina existem 872 agências bancárias e cerca de 13 mil trabalhadores bancários. São 460 agências de bancos públicos contra 412 agências de bancos privados. Porém a distribuição de emprego guarda uma diferença muito maior do que o número de agências. Os banco públicos empregam 70% da categoria bancária em SC.

O impacto que os bancos públicos tem na economia também é desproporcional. Os bancos públicos são a principal fonte de crédito pessoal, imobiliários, rural e industrial no estado! Os públicos representam 89,26% em acesso de crédito contra 10,74% dos privados (BACEN).

Quando falamos do financiamento rural e industrial esse percentual é ainda mais gritante: Mais de 90% dos recursos destinados ao desenvolvimento desses setores fundamentais na economia catarinense são de bancos públicos. O financiamento imobiliário então é ainda maior, quase 100% é feito por bancos públicos.

 

[…] O impacto que o fim dos bancos públicos vai ter para a economia nacional e regional são enormes. Aqui no nosso estado não significa apenas milhares de desempregados. Além do desemprego, a ameaça ao acesso ao crédito e financiamento a juros menores, com subsídio público, que dá condições aos agricultores, pequenos e médios industriais, comerciantes e demais cidadãos que investem na econômica local, gerando por sua vez emprego e contribuindo na arrecadação de impostos no estado, compromete profundamente uma dinâmica que do crescimento e subsistência catarinense.

A audiência pública serviu como um início de uma luta que vai muito além da proteção de empregos ou de uma categoria. Ela aponta para um caminho: em que bases vamos apoiar nossa sociedade. O rentismo, a política de estado mínimo e a lógica do macro mercado, em um país como o Brasil, já tão desigual, só aumenta o abismo social e agrava os problemas que já enfrentamos em profusão.

Ao fim da audiência os representantes elencaram as propostas a serem encaminhadas bem como redigiram uma moção de apoio aos bancos públicos em Santa Catarina.

Propostas:
– Moção de Apoio em defesa dos Bancos Públicos e da economia de SC;
– Realização de Estudo Técnico considerando o importante papel desempenhado pelos bancos públicos no desenvolvimento do Estado de Santa Catarina e na geração de emprego e renda;
– Exigir a manifestação oficial do Governador do Estado em relação aos prejuízos para a economia do Estado com o encolhimento da presença dos Bancos Públicos nos municípios.
-Construir audiências públicas em todos os municípios de Santa Catarina para debater os ataques aos bancos públicos.

MOÇÃO DE APOIO
Considerando: o momento extremamente delicado da economia e da vida política nacional, e o papel historicamente desempenhado pelas instituições públicas do sistema financeiro no que tange às políticas de crédito, financiamento e investimento para os diversos setores da nossa sociedade, principalmente para os micros, pequenos e médios produtores, responsáveis maiores pela geração de renda e empregos em nosso país;

Considerando: o papel desempenhado pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil como principais agentes do sistema financeiro na administração e concessão de recursos para o desenvolvimento regional, em particular no âmbito do financiamento agrícola e imobiliário, democratizando o acesso ao crédito e ampliando as oportunidades para amplas camadas da população;

Considerando: a importância dos bancos regionais para o desenvolvimento de projetos locais de investimento e infraestrutura, identificando vocações e privilegiando a permanência dos recursos nos estados, exercendo papel multiplicador da renda nas próprias comunidades, em oposição à política concentradora das instituições financeira privadas;

Considerando: a capilaridade do atendimento promovida pelas instituições públicas, presentes com suas agências, ainda, na maioria dos municípios brasileiros, possibilitando o acesso ao financiamento estudantil, ao crédito, aos programas sociais e à cidadania, sendo fundamentais na percepção da presença do Estado em cada localidade;Considerando: o impacto perverso para centenas de famílias catarinenses com a ameaça de fechamento de agências e de postos de atendimento numa possível privatização, provocando a migração para outros estados de oportunidades de emprego e renda;
Os presentes aprovam a presente Moção de Apoio, contrária ao enfraquecimento da atuação das instituições públicas do sistema financeiro e a quaisquer tentativas de privatização dos bancos públicos.

Fonte – Informações de www.facebook.com/cesar.valduga / ALESC / SEEB Floripa

 

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