Após mais de oito horas de negociação, Fenaban insiste em proposta abaixo da inflação e CONTEC rejeita retirada de direitos

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Após mais de oito horas de negociação, Fenaban insiste em proposta abaixo da inflação e CONTEC rejeita retirada de direitos

Rodada desta terça-feira (25) foi marcada por longas pausas, propostas insuficientes, tentativa de retirada e congelamento de cláusulas e forte resistência dos representantes dos trabalhadores

A rodada de negociação entre a CONTEC e a Fenaban, realizada nesta terça-feira, 25 de agosto, foi marcada por mais de oito horas de discussões, sucessivas interrupções e pela apresentação de propostas consideradas insuficientes pelos representantes dos trabalhadores. A FEEBSC acompanhou as negociações, que terminaram sem acordo e com nova rodada marcada para esta quarta-feira (26).

Logo no início dos trabalhos, a Fenaban apresentou à mesa a empresa Gi Group | Intoo, parceira dos bancos na área de suporte e requalificação profissional. A proposta apresentada envolve acompanhamento aos trabalhadores desligados, com diagnóstico profissional, workshops, apoio emocional e assessoria individual com consultor de carreira, buscando auxiliar na elaboração de um plano para recolocação no mercado de trabalho e no aproveitamento das competências profissionais dentro ou fora do setor financeiro.

Outro tema levado à mesa foi a discussão sobre redução da jornada e escala 4×3. A Fenaban apresentou estudo baseado em experiências internacionais, incluindo a Nova Zelândia, sobre jornadas de aproximadamente 30 horas semanais, com quatro dias de trabalho e três de descanso.

Segundo os dados apresentados, experiências com a escala 4×3 indicaram redução do esgotamento, melhora no bem-estar dos trabalhadores e aumento do engajamento e da produtividade. Modelos semelhantes já foram testados ou implantados em países como Reino Unido e Islândia e também vêm sendo adotados por algumas empresas brasileiras.

Primeira proposta econômica foi rejeitada

Ao entrar nas cláusulas econômicas, a Fenaban apresentou uma proposta que provocou imediata reação da representação dos trabalhadores.

Para reajuste salarial, vale-alimentação (VA), vale-refeição (VR), ajuda de custo do teletrabalho, auxílio-creche/babá e auxílio para filhos PCD, os bancos propuseram inicialmente 2,06% de reajuste.

Além disso, a Fenaban propôs manter congelado o piso salarial de entrada, sem qualquer reajuste, e preservar a atual regra da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A mesa da CONTEC recusou a proposta, destacando que o percentual apresentado sequer recompunha integralmente a inflação e representava perda do poder de compra da categoria.

Fenaban compara bancários com trabalhadores de cooperativas

Na retomada das discussões, a Fenaban passou a defender que o reajuste dos bancários não deveria necessariamente acompanhar a inflação.

Entre os argumentos utilizados, a representação patronal apresentou comparações com outras categorias do ramo financeiro. Foram citados, inclusive, dados de Santa Catarina, onde parcela expressiva dos trabalhadores do sistema financeiro atua em cooperativas de crédito.

A Fenaban argumentou que trabalhadores de cooperativas recebem remuneração inferior à dos bancários e utilizou essa comparação para sustentar sua resistência a um reajuste maior.

Também foram apresentados argumentos relacionados ao custo do trabalhador bancário para as instituições financeiras e à concorrência enfrentada pelos bancos com cooperativas de crédito e outras instituições.

Para a representação dos trabalhadores, porém, essas justificativas não podem servir para reduzir salários ou direitos de uma categoria que enfrenta diariamente sobrecarga, pressão por metas, fechamento de agências e redução de postos de trabalho, enquanto o setor bancário mantém elevada lucratividade.

Nova proposta: 2,57% para salários, VA e VR

Depois de novas interrupções, a Fenaban retornou à mesa com outra proposta.

Desta vez, ofereceu 2,57% de reajuste para salários, vale-refeição e vale-alimentação, percentual apresentado com referência à inflação dos alimentos.

Além do índice insuficiente, a Fenaban colocou sobre a mesa propostas envolvendo diversas cláusulas históricas da Convenção Coletiva de Trabalho.

Entre elas, a representação patronal propôs a retirada da cláusula de requalificação profissional da CCT, sob o argumento de que o novo programa apresentado poderia substituir o modelo existente.

Também foi proposta a retirada da gratificação de compensador de cheques, sob a justificativa de que a atividade teria perdido sua aplicação prática.

Em relação ao deslocamento noturno, a Fenaban também defendeu a exclusão da cláusula da Convenção Coletiva, alegando que não haveria mais necessidade de sua manutenção.

Quanto ao Adicional por Tempo de Serviço (ATS), a proposta patronal foi de congelamento do valor em R$ 46,03, sem novos reajustes.

Para o auxílio-funeral, a Fenaban defendeu a manutenção do valor atual de R$ 1.570,55, afirmando considerar o montante suficiente.

Fenaban quer retirar indenização por morte ou incapacidade em assalto

Outro ponto que gerou preocupação foi a proposta de excluir da CCT a indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto.

A Fenaban justificou a retirada alegando que o número de assaltos às agências bancárias diminuiu significativamente e que os trabalhadores já contam com seguros oferecidos pelos bancos.

A representação dos trabalhadores resistiu às propostas de retirada de direitos. Para a CONTEC, a redução da ocorrência de determinado evento não elimina a importância da proteção prevista na Convenção Coletiva.

A CCT representa um patrimônio construído durante décadas de mobilização e negociação da categoria bancária, e a retirada de cláusulas precisa ser analisada com extremo cuidado para que avanços tecnológicos ou mudanças na organização do trabalho não sejam utilizados como justificativa para eliminar direitos.

Bancos lucram, mas querem reduzir proteção dos trabalhadores

A FEEBSC avalia que não há justificativa para impor perdas aos bancários justamente em um cenário no qual as instituições financeiras seguem apresentando resultados expressivos.

Enquanto os bancos avançam na digitalização, fecham unidades, reduzem seus quadros e transferem cada vez mais responsabilidades aos trabalhadores que permanecem nas instituições, os bancários convivem com pressão por resultados, metas elevadas e crescente sobrecarga.

Por isso, a defesa da FEEBSC e da CONTEC é de uma negociação que assegure reposição da inflação, valorização salarial, manutenção dos direitos da CCT e avanços efetivos nas condições de trabalho.

Após aproximadamente oito horas e meia de negociação, a rodada desta terça-feira terminou sem proposta capaz de atender às reivindicações da categoria.

A CONTEC manteve a rejeição aos índices insuficientes e às tentativas de retirada ou congelamento de direitos.

As negociações serão retomadas nesta quarta-feira, 26 de agosto, às 10 horas, quando a representação dos trabalhadores espera que a Fenaban apresente uma proposta que efetivamente valorize os bancários e preserve as conquistas históricas da categoria.

“Os bancários não podem pagar a conta das transformações promovidas pelos próprios bancos. Estamos falando de instituições que continuam apresentando resultados expressivos enquanto os trabalhadores enfrentam redução de postos, fechamento de agências, sobrecarga e pressão cada vez maior. A FEEBSC seguirá ao lado da CONTEC defendendo reajuste justo, valorização e nenhum direito a menos”, afirma Armando Machado Filho, presidente da FEEBSC.

Diretoria de comunicação – FEEBSC

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