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Vale tudo na guerra para reduzir tarifas bancárias

TAR2053 SÃO PAULO 17/09/2008 ECONOMIA TARIFA BANCÁRIA Detalhe de extrato bancário sendo retirado na máquina expressa do Bradesco situada na redação do Estadão, para ilustrar matéria sobre tarifa bancária. FOTO: JF DIORIO/AE

Grande parte dos clientes paga por uma infinidade de serviços de bancos sem saber que renegociar pacotes ou transferir contas e salários para a concorrência pode resultar em descontos de tarifas (confira abaixo). A diferença de preços entre uma cesta de serviços básica, a mais barata oferecida por uma instituição, e a mais cara, com mais produtos, pode chegar a 435%.

No Bradesco, o pacote mais em conta custa R$ 12,20 por mês. O mais caro sai por R$ 65,30 mensais — diferença de R$ 53,10. A Caixa Econômica Federal cobra R$ 12,10 pela cesta-padrão, a mais barata entre as cinco instituições financeiras pesquisadas pelo EXTRA. A diferença entre os serviços básicos e os sofisticados chega a R$ 44,40, com a cesta mais cara a R$ 56,50.

— A portabilidade de salário pode garantir um desconto ou até a isenção da tarifa de manutenção da conta — afirmou Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Para especialistas, o cliente deve sempre fazer uma análise detalhada de seu extrato bancário para reconhecer seu perfil.

— Escolher a cesta mais barata pode acabar saindo mais caro, já que a despesa com os serviços avulsos é alta. Uma transferência bancária, via DOC, custa até R$ 8,50 — disse o professor e economista da Escola de Negócios SaintPaul, Alan Ghani.

Em seis meses, mais de 114 mil reclamações

A falta ou a insuficiência de informações sobre produtos e serviços oferecidos pelos bancos esteve no topo da lista de reclamações dos consumidores feitas ao Banco Central (BC) e que foram consideradas procedentes, no segundo trimestre de 2017. Ao todo, nos primeiros seis meses deste ano, houve 114 mil queixas registradas — um número 3,7% maior na comparação com o mesmo período do ano passado. O BC estabelece que um pacote gratuito com serviços considerados essenciais tem que ser oferecido por todos os bancos, sem cobrança de tarifa alguma.

— Poucos (correntistas) percebem que os bancos, muitas vezes, não informam que os serviços básicos não podem ser cobrados. Outro problema é a distração do cliente, que deixa de acompanhar os extratos bancários, e não se dá conta das cobranças indevidas — disse a economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

‘Pagava R$ 40 por um pacote e reclamei’

— Quando fui à agência bancária para abrir a conta, o gerente me convenceu de ter uma conta-corrente, e não uma universitária, como eu queria, dizendo que não haveria incidência de taxas. Porém, um mês após virar cliente, percebi que me cobravam quase R$ 40 por um pacote de serviços. Reclamei com o banco, e, então, passaram a me cobrar R$ 19 por mês. Após pesquisar, descobri que o banco tinha as tarifas mais caras do mercado. Resolvi encerrar a conta e mudar de instituição financeira. — disse Thaís Soares, estudante, de 21 anos

‘A instituição direciona para a mais cara’

— É preciso ficar atento porque muitos bancos têm a prática de descontinuar alguns pacotes de serviços, alterando as cestas sem informar aos clientes. De acordo com o perfil do consumidor, a instituição o direciona, quase automaticamente, para uma cesta de serviços mais cara do que a que ele estava acostumado a pagar. Muitas vezes, o correntista demora a perceber e, quando se dá conta, já pagou mais caro por vários meses — afirmou Alan Ghani, economista da Escola de Negócios SaintPaul.

Fonte – Jornal Extra

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