
40% dos consumidores usaram FGTS das contas inativas para pagar dívidas
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18 de setembro de 2017Assim como a poupança, o fundo é uma fonte para o setor imobiliário que está diminuindo.
A possibilidade de usar o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) como garantia em operações de crédito consignado deve reduzir os recursos destinados para a casa própria, inclusive do programa Minha Casa Minha Vida. Isso porque, o fundo — junto com a poupança — é uma das principais fontes de financiamento habitacional. Mas ambos estão diminuindo.
A poupança tem perdido espaço há algum tempo já que os saques foram maiores do que os depósitos em 11 meses de 2015 e nos três primeiros deste ano. Segundo dados do Banco Central, divulgados nesta quarta-feira (6), as retiradas superaram os depósitos em R$ 5,1 bilhões no mês de março, completando o terceiro mês seguido de queda.
Agora, o FGTS também pode ver os recursos caírem. De acordo com o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a recessão e o desemprego afetam os depósitos no fundo.
— Com o desemprego crescente, há menos depósitos no FGTS. Além disso, os trabalhadores que perdem o emprego podem sacar o valor depositado. Assim como a poupança, com menos depósitos e mais saques, haverá menos recurso para financiar a habitação. Governo formaliza em Medida Provisória uso do FGTS como garantia para consignado
Outros efeitos
Além da redução dos recursos para financiamento habitacional, Miguel de Oliveira afirma que não deve acontecer o objetivo do governo de que a liberação do FGTS para consignado reduza a taxa de juros.
— Estamos em um ambiente de queda da renda das famílias por conta da inflação alta, juros altos e aumento dos impostos, o que reduz a renda disponível. Além disso, a recessão econômica está elevando os índices de desemprego. Frente a esse cenário, o risco de inadimplência é maior, o que faz os bancos subirem os juros como de fato vêm fazendo.
Segundo Miguel, mesmo no crédito consignado — que é de menor risco e, por isso, tem taxas mais baixas — os juros vêm subindo.
— Em 12 meses, os juros para essa linha de crédito já subiu 2,7 pontos percentuais (em 2016 já subiu 0,7 pontos percentuais).
Quando é aconselhável usar consignado do FGTS?
Miguel afirma que o consumidor só deve utilizar o FGTS para pagar dívida se for extremamente necessário e apenas se for para quitar dívidas no cheque especial ou no cartão de crédito rotativo.
— Hoje, a taxa de juros média do consignado é de 2,81% ao mês, correspondente a 29,5% ao ano contra uma taxa de juros de 12,10% ao mês — 293,9% ao ano no cheque especial e de 15,22% ao mês — 447,5% ao ano no cartão de crédito rotativo.
Caixa lança aplicativo para consultar depósitos do FGTS
Miguel afirma ainda que o FGTS é uma garantia ou seguro para que os consumidores possam utilizar como uma reserva estratégica em caso da perda do emprego. Os trabalhadores que eventualmente perderem o emprego podem demorar vários meses para se recolocar no mercado.
— Se essa reserva financeira for usada para levantar um empréstimo, o trabalhador corre o risco de depois — quando precisar do dinheiro do FGTS — ter um volume menor de recursos para suportar um período mais longo de desemprego.
Fonte – R7 Economia

