
Governo deve anunciar hoje mudança da meta fiscal
14 de agosto de 2017
Mercado financeiro eleva para 3,5% projeção de inflação este ano
14 de agosto de 2017O atual ciclo de corte dos juros básicos deve gerar uma migração do investidor de fundos com altas taxas de administração para a poupança. O alerta é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e baseia-se no ingresso recorde de recursos na caderneta entre 2012 e 2013, última vez em que a Selic esteve na casa de um dígito.
Os juros básicos voltaram a esse patamar no fim de julho, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa em um ponto porcentual, para 9,25%.
“Quando a Selic cai a um dígito, a lógica ao procurar ‘referenciados DI’ (fundos de investimento de baixo risco, que têm a maior parte de seu patrimônio formada por títulos do governo) é buscar fundos com taxa de administração de até 1%”, afirma o diretor de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira. “Naquela época (em 2012), não só o pequeno investidor, mas o grande investidor migrou para a poupança”, diz.
Para a próxima reunião do Copom, em setembro, a maior parte do mercado espera um corte adicional de 1 ponto porcentual da taxa básica de juros. Mesmo que a magnitude da redução seja menor, para 8,50% ao ano, a mudança acionará uma alteração automática na rentabilidade da poupança. Esse gatilho faz com que a caderneta passe a render a Taxa Referencial (TR) mais 70% da meta Selic para os depósitos feitos a partir 4 de maio de 2012, em vez de remunerar com TR mais 0,50% ao mês.
Um estudo feito pela planejadora financeira Letícia Camargo indica que somente fundos com taxas de administração próximas ou menores que 1% remuneram mais do que a poupança em determinados prazos, considerando a Selic a 8,25% ao ano. Aqueles que cobram até 1,20% ganham da poupança somente nos depósitos que duram mais de dois anos, quando a alíquota do Imposto de Renda (IR) cai a 15%. No estudo da especialista, fundos com taxas de 1,3% ou mais não ganham da poupança em nenhum prazo.
Uma pesquisa do Estadão/ Broadcast mostra que há alternativas de investimento que apresentam risco equivalente ao de títulos soberanos (títulos de dívida que costumam ter risco mais baixo, pois são emitidos por governos) e liquidez imediata com taxas de administração de até 1%. O estudo indica que há mais de 250 fundos nessas condições.
Segundo o levantamento, há, porém, fundos com custos ainda altos. Há, por exemplo, cerca de 20 fundos com resgate imediato disponíveis ao investidor comum e com taxa de administração de 4% ou mais. Entre esses, alguns chegam a cobrar 5,5%. Obviamente, a rentabilidade anual desses fundos deixa a desejar. Alguns remuneraram nos primeiros sete meses de 2017 menos do que a poupança, que rendeu 4,69% no período. Nenhum conseguiu entregar nem 65% do CDI, indicador de referência para aplicações conservadoras e que fechou o período com 6,60%.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro de Capitais (Anbima), os fundos de curto prazo nas categorias “grau de investimento” e “soberano” (ambas tidas com de risco mais baixo) encerraram os sete primeiros meses do ano com retornos de 6,50% e 6,63%, respectivamente.
Mudanças entre as aplicações exigem atenção do investidor. A planejadora Letícia Camargo alerta que a caderneta remunera apenas quando o depósito completa 30 dias. “Se o investidor resgata antes disso, aquele dinheiro terá zero de remuneração.”
Saldo opera no azul há 3 meses
Depois de dois anos operando no vermelho, a diferença entre aportes e saques na poupança ficou positiva nos últimos três meses, com o saque das contas inativas do FGTS. Em julho, o saldo foi positivo em R$ 2,336 bilhões, segundo dados do Banco Central. No acumulado de 2017 até julho, porém, a conta é negativa em R$ 9,955 bilhões.
Fonte: Estadão

