
Caixa divulgará lucro no dia 21/08
11 de agosto de 2017
Bancos não oferecem consignado com garantia do FGTS; linha foi liberada em abril
14 de agosto de 2017Utilizado por seis entre 10 brasileiros, o dinheiro de plástico exige planejamento e cautela para evitar que o usuário mergulhe em dívidas. Usado para adquirir bens ou serviços em todo o mundo, o cartão de crédito, por ser prático e oferecer vantagens ao consumidor, é uma das mais populares formas de pagamento eletrônico no Brasil. A comodidade de poder consumir algo sem necessariamente ter a quantia em mãos facilita a vida de pelo menos seis a cada 10 brasileiros, de acordo com uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes (CNDL), divulgada em junho deste ano.
Criado para facilitar a vida, o cartão de crédito pode se tornar uma grande dor de cabeça quando mal utilizado. O mesmo estudo revelou que 57% dos usuários da modalidade não controlam de maneira adequada os gastos realizados.
Em Brasília, os números também confirmam que o cartão ainda é o queridinho das formas de pagamento. De acordo com a pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Ana Luíza Marinho Carneiro, mais da metade dos moradores do Distrito Federal, 61% , informou possuir cartão de crédito, com uma média de dois por pessoa. A pesquisa foi realizada com cerca de seis mil entrevistados.
Apesar da preferência da população, Pedro Jobim, planejador financeiro e diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem), alerta que o brasileiro tem um dos níveis de educação financeira mais baixos do mundo. Por isso, opções que a princípio são benéficas, se não forem bem administradas, trazem prejuízos financeiros e dívidas. “Um dos erros de usuários do cartão de crédito está em preferir parcelar a poupar”, afirmou. Diminuir o limite junto às administradoras ou mesmo optar por pagamentos à vista são, segundo o diretor, as alternativas para quem não consegue controlar os gastos.
Consumidor
Ter um cartão de crédito não significa apenas comprar e pagar no futuro. No mês de julho, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Fecomércio-DF, mostrou que 77,8% das 600 famílias entrevistadas na capital do país estão endividadas. Desstas, 90% se declararam comprometidas com o cartão de crédito. Na comparação com o mês de junho, não houve grande mudança nos dados colhidos. De acordo com Adelmir Santana, presidente da Fecomércio, os brasilienses estão mais cautelosos. “Desde fevereiro, a pesquisa mostra queda no total de endividados na capital do País. Isso demonstra a moderação na hora de fazer compras a prazo e a preocupação com a instabilidade no emprego”, aponta. Além disso, segundo o presidente, o consumidor tem priorizado o pagamento e a renegociação das dívidas assumidas.
Além da possibilidade de dividir um pagamento em várias parcelas, o consumidor pode garantir descontos em serviços ou exclusividade para obter ingressos de espetáculos, jogos e shows, por exemplo. Pelo sistema de acumulação de pontos, há empresas que oferecem ao usuário o programa de milhas para viagens aéreas. Mas Myrian Lund, planejadora financeira e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), alerta que o consumidor deve avaliar se as vantagens oferecidas pela modalidade são compatíveis com o estilo de vida. “Há pessoas que focam nas vantagens do cartão, mas não usufruem disso. Não adianta pensar em milhas e não ter o costume de viajar”, pontuou. O cartão de crédito é uma boa alternativa para quem tem controle dos gastos e sabe se organizar. É importante, segundo Lund, pensar sempre em juros baixos e dívidas rápidas. “Parcelamentos são perigosos. Se optar por isso, avalie se vale a pena negociar um empréstimo com o banco para quitar a dívida, pois os juros do cartão de crédito costumam ser os mais caros do mercado”, indicou.
Os atrativos incentivam o consumidor a efetuar pagamentos no crédito. Para Everton Correia, doutor em economia da CNDL, comprar bens não duráveis a prazo é um negócio ruim. “Somente no caso de veículos e eletrodomésticos, por exemplo, é indicado o uso do cartão, já que o consumidor utilizará os itens por muito tempo”, reforçou.
Crédito ou débito? Os especialistas alertam: na maioria das vezes, comprar à vista é a melhor opção. A professora Paula Poll, 33, segue a dica à risca e só recorre ao crédito quando compra eletrodomésticos e viagens internacionais. “Parto do princípio de que, se não tenho dinheiro na conta, não tenho condições de ter aquele bem que desejo”, pontuou. Atualmente, de acordo com a planejadora Gabriela do Vale, há estabelecimentos que oferecem bons descontos para quem adota o estilo de pagamento imediato. Além disso, segundo ela, é necessário ficar atento aos valores de anuidade que cada operadora oferece. Algumas já poupam o consumidor dests tipo de despesa.
Vantagens
Dentre as vantagens das compras à vista, pagar com dinheiro pode evitar problemas recorrentes no Distrito Federal: golpes aplicados no uso do cartão de crédito. De acordo com o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Ordem Tributária e a Fraudes (Corf), o consumidor deve ficar atento aos sites de compra não seguros e não deve aceitar ajuda de desconhecidos no caixa do banco. Esses exemplos são os mais comuns no DF, segundo estimativa do delegado, e podem ser uma porta aberta para criminosos clonarem cartões. “Caso caiam em golpes, basta registrar a ocorrência em qualquer delegacia do DF e comunicar o banco responsável pelo cartão”, aconselhou.
Fonte – Correio Braziliense

