
Clientes do Bradesco e Banco do Brasil têm limites de cartões zerados
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5 de outubro de 2026Duas medidas anunciadas pelo governo federal às vésperas das eleições podem dar algum alívio aos bancos brasileiros em um momento de preocupação elevada com o endividamento das famílias: o Desenrola Brasil 3.0 e a proibição das plataformas de apostas online.
Para analistas de Goldman Sachs, JPMorgan, UBS BB e Bradesco BBI, as iniciativas têm potencial para beneficiar o setor financeiro, ainda que por canais diferentes e com impactos distintos entre as instituições. No caso do novo Desenrola, o BBI destaca uma mudança especialmente favorável em relação à versão anterior: o foco agora está principalmente em créditos que já foram baixados como prejuízo, reduzindo os potenciais efeitos negativos decorrentes da constituição de provisões.
Já a proibição das bets pode, na leitura dos analistas, liberar uma parcela da renda familiar que vinha sendo direcionada às apostas e, potencialmente, melhorar a capacidade de pagamento dos consumidores.
Já a proibição das bets pode, na leitura dos analistas, liberar uma parcela da renda familiar que vinha sendo direcionada às apostas e, potencialmente, melhorar a capacidade de pagamento dos consumidores.
No Desenrola especificamente, o Bradesco BBI avalia a terceira versão como ainda mais favorável aos bancos do que a anterior e estima impactos potencialmente relevantes para Nubank (BDR: ROXO34) e Inter (BDR: INBR32).
Desenrola 3.0 mira até R$ 150 bilhões
O Desenrola 3.0 altera de forma relevante o mecanismo adotado anteriormente. Em vez de principalmente incentivar bancos e clientes a renegociarem as dívidas, o novo modelo está estruturado em torno da aquisição de carteiras inadimplentes dos credores.
Pela medida, o Ministério da Fazenda poderá contratar Banco do Brasil (BBAS3) ou Caixa Econômica Federal para estruturar e administrar o veículo responsável pela aquisição das carteiras. O limite de gastos do governo será de R$ 15 bilhões, enquanto as operações deverão ter desconto de pelo menos 90%. Com isso, o Bradesco BBI calcula que o valor de face das carteiras adquiridas poderia alcançar cerca de R$ 150 bilhões.
As dívidas elegíveis precisam estar vencidas há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias, intervalo de aproximadamente dois a quatro anos e meio, e cada dívida não poderá superar R$ 10 mil. Embora a medida provisória já esteja em vigor, a implementação ainda depende da regulamentação do Ministério da Fazenda, que estabelecerá as regras e os requisitos do programa. Segundo o BBI, a expectativa do governo é de estreia em novembro.
Para o Goldman Sachs, o novo desenho oferece aos bancos um mecanismo rápido para resolver créditos que estão inadimplentes há períodos prolongados e, por isso, é positivo especialmente para instituições mais expostas ao crédito sem garantia.
Fonte: Infomoney

