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17 de março de 2017À medida que o Brasil enfrenta desafios para se recuperar da severa recessão, os bancos brasileiros recorrem à renegociação dos chamados empréstimos ruins. O volume de renegociações tem crescido desde 2015 com o objetivo de ajudar os tomadores de empréstimos em dificuldades a se manterem em dia com os pagamentos de seus empréstimos, e os dados disponíveis são insuficientes para calcular com precisão o nível atual de empréstimos de qualidade duvidosa.
Na opinião da S&P Global Ratings, essa estratégia é muito arriscada, pois seu êxito depende exclusivamente da retomada do crescimento do PIB brasileiro de 2017 em diante. Os bancos tornaram-se muito mais cautelosos e reduziram o crédito em função da deterioração do fluxo de caixa e da capacidade de serviço da dívida dos tomadores de atacado e varejo. As investigações de corrupção em curso – Operação Lava Jato, Zelotes, entre outras – aumentam ainda mais os riscos ao sistema financeiro brasileiro. No entanto, as investigações não resultaram em restrições de captação de recursos (funding) para os seis maiores bancos do país até o momento.
Os prováveis cortes nas taxas de juros no Brasil aliviarão a pressão sobre aqueles tomadores em dificuldade. “Entretanto, acreditamos que somente uma sólida recuperação no Brasil melhorará a qualidade dos ativos dos bancos e,
consequentemente, sua rentabilidade” explica o relatório da S&P Global Ratings e assinado pelo analista principal, Edgard Dias.
Bancos mudam abordagem para lidar com a retração no crédito
Os bancos brasileiros diminuíram o ritmo da concessão de crédito desde 2015 . Essa tendência alcançou uma nova fase em 2016, após os bancos adotarem uma estratégia bastante arriscada em 2015, quando renegociaram um montante sem precedentes de empréstimos ruins em uma conjuntura de recessão profunda. A premissa-chave para o êxito dessa estratégia é uma sólida recuperação na atividade econômica e a retomada do crescimento do PIB em 2017, que, em nossa opinião, seria o único caminho para uma melhora consistente no fluxo de caixa (e na capacidade de serviço da dívida) das empresas e das famílias e para evitar o inadimplemento das obrigações.
Entretanto, o relatório de mercado do Banco Central do Brasil reduziu a projeção de crescimento do PIB para 2017 de 1,5% há apenas três meses para 0,5% em janeiro deste ano, refletindo a escassez de crédito e a recessão severa, que levaram os portfólios de empréstimo de todos os grandes bancos a atingir um nível de risco nunca antes registrado.
A S&P Global Ratings também reduziu recentemente suas projeções de crescimento do PIB para 2017 de 1,5% para 0,9%. “Em nossa opinião, a estratégia de renegociação de empréstimos tem pressionado cada vez mais os resultados dos grandes bancos, uma vez que as dificuldades econômicas os têm impedido de aumentar suas receitas de prestação de serviços e spreads e realizar cortes de custos a um ritmo mais acelerado para compensar a rápida deterioração na qualidade dos ativos”, considera.
A S&p acredita que os bancos tenham adotado essa estratégia com o intuito de preservar os retornos em 2016 e alcançar suas metas de lucro anuais; porém, ela apenas adiará a deterioração na qualidade dos ativos no médio a longo prazo. “Caso a recuperação econômica não se concretize em 2017, esperamos ou um crescimento das provisões para empréstimos ruins, afetando os lucros dos bancos ou um aumentando ainda maior nos níveis de renegociação, o que limitaria o impacto nos resultados no curto prazo, mas comprometeria os lucros no longo prazo”, avalia.
Cada rodada de renegociação de empréstimos faz com que a qualidade de crédito dos bancos se torne mais dependente de uma recuperação econômica.
Saldo total da poupança continua em forte queda
A forte queda no saldo da poupança desde 2015 reflete primordialmente os saques dos tomadores para pagar seus empréstimos, dado o aumento do desemprego e, em menor escala, a busca dos investidores por retorno mais alto do que aquele proporcionado pela poupança. “Consequentemente, a disponibilidade de funding para financiamentos imobiliários tem diminuído, pois a regulação no Brasil exige atualmente que 65% dos depósitos em poupança sejam alocados para financiamentos imobiliários a fim de impulsionar o setor imobiliário residencial do país”, completa a análise.
Fonte – ÚltimoInstante.com.br

