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6 de fevereiro de 2023Com bloqueio aéreo, garimpeiros relatam até 30 dias de caminhada para deixar a área dos ianomâmi, em Roraima
Com o bloqueio aéreo e a expectativa de uma grande operação na Terra Indígena Yanomami, garimpeiros gravam vídeos pedindo ajuda às autoridades para saírem da região. Em um dos vídeos, garimpeiros informaram caminhadas de 30 dias pela floresta e barcos lotados para deixar a área indígena e chegar em alguma região urbana.
Em outro vídeo, garimpeiros afirmam estar sem comida e pedem ao Exército e à polícia para serem resgatados da Terra Yanomami. O local era abastecido por aeronaves, mas com o bloqueio aéreo, a alimentação não chega mais até as áreas de garimpo onde estão instalados. Nas imagens, um garimpeiro diz que há ao menos 30 pessoas nos barracos, e dizem dividir sua comida com os indígenas e mostram idosos e crianças ianomâmi.
Outro grupo de garimpeiros, desta vez de mulheres divulgou um vídeo e uma delas pede que acionem o “recursos humanos” pois estão sem mantimentos. “Não estão resgatando ninguém, a gente está preso aqui”, afirma. Elas relataram ainda a cobrança de R$ 15 mil para deixar o local em um voo de helicóptero e que por serem mulheres, “não vão conseguir” andar por 30 dias. Na gravação não é informado em qual região estão.
“Não estão resgatando ninguém, a gente está preso aqui e a gente não vai ter mais alimentação. Os indígenas vão começar a ficar estressados, porque a gente que dá comida para eles. Nos ajudem”.
Jailson Mesquita, que é o articulador político do Movimento em Roraima, declarou que é preciso socorrer essa população e que os garimpeiros querem ajuda para deixar o território de forma pacífica.
“Precisamos de uma resposta urgente do governo federal para os garimpeiros ficarem em determinado local em lugar de andarem pela floresta pois correm risco e entram em confronto com indígenas”.
Da sede da área indígena, chamada de Surucucu até Boa Vista, capital de Roraima, são ao menos 280 km – o que dá cerca de 1h30 de voo, ou mais de 8 dias caminhando. A região é de mata fechada e montanhosa, o que pode agravar o trajeto de fuga dos garimpeiros. Já de barco, eles devem enfrentar um percurso de, pelo menos, sete dias pelo rio Uraricoera, um dos rios contaminados por mercúrio na região.
Fonte: R7

