IPCA: Brasil registra deflação em julho, mas preços dos alimentos continuam subindo

Lucro do BB salta quase 55%. Funcionários têm que ser valorizados
11 de agosto de 2022
Programa ‘Caixa para Elas’ vai focar em relacionamento para clientes mulheres
11 de agosto de 2022
Lucro do BB salta quase 55%. Funcionários têm que ser valorizados
11 de agosto de 2022
Programa ‘Caixa para Elas’ vai focar em relacionamento para clientes mulheres
11 de agosto de 2022

IPCA: Brasil registra deflação em julho, mas preços dos alimentos continuam subindo

Taxa foi de -0,68%, a menor taxa desde 1980. Preços da gasolina caíram 15,48% no mês e os do etanol, 11,38%, mas dos 377 produtos e serviços investigados pelo IBGE, 237 tiveram alta de preços no mês

A queda nos preços dos combustíveis, em especial da gasolina e do etanol, e da energia elétrica, derrubou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho em -0,68%. Foi a menor taxa registrada desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 1980, mas os preços dos alimentos, itens que mais afetam a população, especialmente a mais pobre, continuaram subindo.

Dos 377 produtos e serviços investigados pelo IBGE, 237 tiveram alta de preços em julho – em junho, foram 252 em alta.

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Instituto,  a inflação acumulada do ano é de 4,77% e, nos últimos 12 meses – de julho do ano passado a julho deste ano -, de 10,07%. Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, dois apresentaram deflação em julho, enquanto os outros sete tiveram alta de preços. O resultado do mês foi influenciado principalmente pelos custos dos grupos Transportes (-4,51%) e Habitação (-1,05%).

Já o grupo alimentação e bebidas teve a maior variação (1,30%) em julho, puxado  pela alta do leite longa vida que subiu mais de 25% e pelos derivados do leite como queijo (5,28%) e manteiga (5,75%).

A alta do leite contribuiu especialmente para o resultado da alimentação no domicílio, que acelerou de 0,63% em junho para 1,47% em julho. Outro destaque foram as frutas, com alta de 4,40%.

No lado das quedas, os maiores recuos de preços vieram do tomate (-23,68%), da batata-inglesa (-16,62%) e da cenoura (-15,34%), que acumulavam altas de mais de 100%.

Além dos alimentos, outros itens que tiveram alta relevante em julho foram passagens aéreas (8,02%), taxa de água e esgoto (0,96%), empregado doméstico (1,25%) e cigarro (4,37%).

O grupo de despesas pessoais (1,13%) acelerou em relação ao mês anterior (0,49%). Os dois principais destaques foram os subitens empregado doméstico (1,25%) e cigarro (4,37%), este último por conta dos reajustes entre 4,44% e 8,70% nos preços dos produtos comercializados por uma das empresas pesquisadas, a partir de 3 de julho.

Queda dos combustíveis

Sobre a queda do índice, influenciada pelos preços dos combustíveis mais baratos, o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, lembrou que a Petrobras anunciou no dia 20 de julho uma redução de 20 centavos no preço médio do combustível vendido para as distribuidoras.

Lembrou ainda da Lei Complementar 194/22, sancionada no final de junho, que reduziu o ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações.

Segundo ele, essas reduções afetaram o grupo de transportes (-4,51%) e o de habitação (-1,05%), por conta da energia elétrica (-5,78%).

“Foram esses dois grupos, os únicos com variação negativa do índice, que puxaram o resultado para baixo”, explicou.

Os preços da gasolina caíram 15,48% e os do etanol, 11,38%. A gasolina, individualmente, contribuiu com o impacto negativo mais intenso entre os 377 subitens que compõem o IPCA, com -1,04 p.p. Além disso, também foi registrada queda no preço do gás veicular, com -5,67%.

O pesquisador também destaca que além da redução da alíquota de ICMS cobrada sobre os serviços de energia elétrica, outro fator que influenciou o recuo do grupo habitação foi a aprovação, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), das Revisões Tarifárias Extraordinárias de dez distribuidoras espalhadas pelo país, o que acarretou redução nas tarifas a partir de 13 de julho.

Outro grupo que contribuiu para o resultado da inflação foi vestuário, com uma desaceleração de 1,67% para 0,58%, após apresentar a maior variação positiva entre os grupos pesquisados nos meses de maio e junho. “A gente teve uma queda muito forte no preço do algodão, que é uma das principais matérias-primas da indústria têxtil, no final de junho”, esclarece Pedro. As roupas masculinas passaram de 2,19% em junho para 0,65% em julho, enquanto as roupas femininas foram de 2,00% para 0,41%. Os calçados e acessórios (1,05%), por sua vez, tiveram variação um pouco abaixo do mês anterior, quando registraram 1,21%.

Também mostrou ritmo de desaceleração o grupo de saúde e cuidados pessoais (0,49%) devido à variação inferior dos valores dos planos de saúde (1,13%), na comparação com o mês de junho (2,99%), e à queda de 0,23% dos itens de higiene pessoal, frente à alta de 0,55% em junho.

 

Fonte : UOL

Os comentários estão encerrados.