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12 de agosto de 2021O banco americano, que em 2017 vendeu sua operação de varejo ao Itaú Unibanco para se concentrar no corporate, agora começou a oferecer banking as a service para seus clientes corporativos lançarem seus “próprios bancos”. Entenda a estratégia da instituição financeira
A entrada do Citi no segmento de banking as a service é uma tendência do setor financeiro. Entre os principais bancos que já exploram essa modalidade no Brasil, estão o BV, antigo Banco Votorantim, e o Original, controlado pela holding J&F. As instituições têm se concentrado principalmente em atender as novas fintechs que surgem a cada ano no Brasil, mas que não contam com a licença do BC para operar como banco.
No ano passado, o número de fintechs no País chegou a 771, um aumento de 28%, no mais recente levantamento divulgado pelo Radar FintechLab. O Zro Bank, por exemplo, é uma plataforma de câmbio que nasceu em 2020 e usa a estrutura do Banco Topázio para oferecer alguns serviços aos seus usuários.
Além delas, empresas não financeiras têm buscado lançar serviços financeiros digitais para aumentar o relacionamento com seus clientes, com maior destaque para varejistas, como Americanas, Via e Magazine Luiza, que oferecem contas digitais e soluções de crédito.
As três, aliás, têm recorrido a aquisições de empresas do setor financeiro. A Ame Digital, controlada por Americanas e B2W, comprou, por R$ 34 milhões, a Parati Financeira, que atua como provedora de banking as a service. A Via comprou o banQi. O Magazine Luiza, por sua vez, adquiriu, por R$ 290 milhões, a Hub Fintech, uma instituição de pagamentos regulada pelo BC.
Até os aplicativos de transporte têm seguido por esse caminho. A Wappa, que trabalha com 100 mil taxistas no Brasil, fechou uma parceria com a Jazz, uma empresa de tecnologia, e o Banco Arbi, de pequeno porte, para disponibilizar uma conta no app para os motoristas.
Na avaliação de Temsamani, do Citi, os movimentos do mercado não representam o início de uma guerra ou de uma corrida para ver quem se torna mais digital. Em sua visão, significam um esforço para entrar em um trem que está se movendo muito rápido. “E este trem está indo em direção a uma economia que será quase 100% digital”.
Os efeitos, inclusive, já podem ser vistos na pandemia, que acelerou a oferta de serviços financeiros digitais, em meio ao isolamento social. Em 2021, o número de desbancarizados no Brasil caiu para 34 milhões de pessoas, contra 45 milhões em 2019, segundo o Instituto Locomotiva.
Em 2021, o número de desbancarizados no Brasil caiu para 34 milhões de pessoas, contra 45 milhões em 2019, segundo o Instituto Locomotiva.
Uma vez que as fintechs e as empresas não financeiras têm investido em relacionamento para chegar a desbancarizados e insatisfeitos com os serviços das instituições tradicionais, desenha-se um cenário no qual os bancos são empurrados para desempenhar um papel de retaguarda.
“Será que um banco grande consegue entregar na ponta a mesma experiência que um varejista ou que uma carteira digital? Eles vão ter enorme dificuldade de conseguir fazer isso”, afirma o consultor João Bragança, diretor de serviços financeiros da consultoria Roland Berger.
Segundo ele, os grandes bancos ainda são tímidos em aderir a esse negócio porque o varejo ainda gera muita margem de lucro. Contudo, fariam muito bem se seguissem por esse caminho, como uma estratégia complementar, acredita o consultor. “Não andar para isso é uma estratégia que está errada”, diz Bragança.
No caso do Citi, o banking as a service e a conta digital são as etapas mais recentes de uma jornada de transformação digital do banco que começou há três anos e meio. Nesse período, por exemplo, a instituição digitalizou o processo de abertura de contas no próprio Citi.
Depois de terem sido testados nos mercados desenvolvidos onde o Citi atua, como Estados Unidos e Europa, os novos produtos estão sendo lançados em diversos países. Além do Brasil, na Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala e Porto Rico. Outros países da América Latina devem ser incluídos ao longo de 2022.
“Estamos desenvolvendo soluções para automatizar a relação entre nós e nossos clientes, entre nossos clientes e os clientes dos nossos clientes e com os fornecedores dos nossos fornecedores”, afirma Fernando Granziera, gerente de digital do Citi.
Para seguir com novos produtos, o banco americano aguarda o avanço da agenda do BC brasileiro, para ter mais empurrões. “No futuro próximo, devemos começar a trabalhar com boletos com QR Code, blockchain e uma solução global de e-commerce que será adaptada ao Brasil, a ser lançada no segundo semestre”, diz Granziera.
Fonte: Neofeed

