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11 de março de 2021Apesar da pressão feita pelos agentes de Segurança Pública em Brasília, a Câmara dos Deputados deve manter, em votação nesta quarta-feira, todos os gatilhos da PEC Emergencial que preveem mais austeridade no serviço público. Inconformados com a perspectiva de um longo período de congelamento salarial, os policiais se dizem “enganados mais uma vez pelo governo Bolsonaro” e organizam uma paralisação em protesto ao arrocho.
Nesta quarta, às 10h, representantes de pelo menos 24 associações que integram a União dos Policiais do Brasil (UPB) farão uma coletiva de imprensa para anunciar posicionamento conjunto das entidades em relação ao tratamento do Executivo. Segundo a UPB, o governo está tratando os agentes “com desprezo”.
Presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva disse à coluna que os policiais analisam como será feita a paralisação. “Vamos fazer um protesto, conversar com nossas bases para verificar como será a paralisação, nem que seja curta, pois não podemos fazer greve”.
Paiva criticou os mecanismos de contenção de gastos públicos previstos no texto. Segundo ele, a previsão é de que os policiais e outras categorias do funcionalismo público fiquem mais 15 anos sem reajuste e reforço de pessoal.
“Mais uma vez, estamos nos sentindo realmente muito enganados pelo governo Bolsonaro, que sinaliza com as alterações (na PEC) que a gente entende que são justas, pelas especificidades da carreira, mas na hora de ir ao Congresso Nacional defende outra, defende a aprovação do texto”, afirmou o presidente da ADPF.
Ele lembrou ainda os desgastes que ocorreram na época da votação da Reforma da Previdência. No entanto, para o delegado, a PEC Emergencial penaliza ainda mais a categoria.
“Na reforma foi a mesma coisa, o governo sinalizou por uma proteção aos policiais, mas fez outra. Agora nessa situação a coisa foi um pouco mais grave, pois não estão fazendo um congelamento somente durante a pandemia. E desde 2016 já não tem negociação salarial para as carreiras policiais da União. Agora vem com uma possibilidade de congelamento de salários, de progressões e de contratações por 15 anos”, argumentou.
Fonte: O dia

