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26 de novembro de 2020
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26 de novembro de 2020O Ibovespa se descolou do exterior e fechou em alta nesta quarta-feira (25), atingindo os 110 mil pontos e aproximando-se mais um pouco do nível de fechamento do dia 21 de fevereiro, quando o principal índice da B3 encerrou a sessão cotado em 113.681 pontos.
A Bolsa também caminha para zerar as perdas no ano, uma vez que encerrou 2019 nos 115.645 pontos. Só em novembro, o Ibovespa já acumula valorização de 17,22%.
Segundo Júlio Erse, gestor da Constância Asset, a alta muito forte desse mês foi provocada principalmente pelo fluxo estrangeiro. “Dois riscos importantes passaram: a eleição nos Estados Unidos e a expectativa pelos testes das vacinas. Foi isso que iniciou o aumento no apetite por risco. Países emergentes se beneficiaram, pois muito capital veio para empresas cíclicas”, afirma.
Dentro deste cenário, os dados da B3 mostram muita entrada de recursos. Até o dia 19 eram R$ 26,17 bilhões provenientes dos investidores estrangeiros, o que beneficiou principalmente as blue chips, pois são mais líquidas e mais pesadas no índices.
De acordo com Erse, as altas de Petrobras, Vale e bancos explicam 10.300 dos 16.300 pontos que o Ibovespa subiu em novembro.
“Isso dá uma perspectiva, pois em um universo mais amplo das 200 ações que possuem alguma liquidez a alta foi bem concentrada em commodities e financeiras. No caso de Petrobras e bancos, esse movimento é muito embasado também por serem papéis que se mexeram pouco no rali anterior.”
Em relação ao futuro, Erse entende que há ainda incertezas a respeito de quando as vacinas serão universalmente disponibilizadas para imunizar a população e sobre a possibilidade do governo democrata eleito dos EUA.
“Temos que levar com parcimônia esse otimismo até que esses eventos fiquem mais claros”, conclui.
Hoje, o Ibovespa subiu 0,32% a 110.132 pontos com volume financeiro negociado de R$ 29,07 bilhões.
Enquanto isso, o dólar comercial caiu 1,03% a R$ 5,3192 na compra e a R$ 5,3202 na venda. O dólar futuro com vencimento em dezembro registrava queda de 0,84%, a R$ 5,329 no after-market.
No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu seis pontos-base a 3,34%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de sete pontos-base a 5,12%, DI para janeiro de 2025 recuou sete pontos-base a 6,94% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de seis pontos-base a 7,68%.
Vale lembrar que amanhã a liquidez deve ser reduzida pelo feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, o que reduz bruscamente o volume de operações realizadas por estrangeiros.
No radar macroeconômico, os investidores repercutiram a divulgação da segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre.
A economia americana teve um crescimento de 33,1% no período, praticamente em linha com as expectativas dos economistas. A pesquisa Reuters apontava para uma mediana das projeções em avanço de 33,2% no PIB dos EUA.
Outro dado que saiu nos EUA hoje foi o número de pedidos de seguro-desemprego, que chegaram a 778 mil na semana passada, acima dos 733 mil previstos pelos economistas. Na semana anterior haviam sido registrados 742 mil requisições do benefício, número que foi revisado para 748 mil esta semana.
Há alguns investidores que enxergam uma possível desaceleração da retomada da economia americana na conjunção destes dados.
Outro dado que saiu hoje foi a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Embora os membros do Fomc tenham afirmado que o ritmo atual do programa de compras de ativos do Federal Reserve está ajudando a manter as condições financeiras acomodatícias, eles observaram que mudanças poderiam ser implementadas, se necessário.
“Os participantes observaram que o Comitê poderia fornecer mais acomodação, se apropriado, aumentando o ritmo de compras ou mudando suas compras do Tesouro para aquelas com um vencimento mais longo, sem aumentar o tamanho de suas compras”, diz a ata.
Durante os últimos dias, o mercado registrou um rali robusto devido à divulgação dos resultados de vacinas. As profilaxias de AztraZeneca/Oxford, Pfizer/BioNTech e Moderna atingiram mais de 90% de eficácia na fase 3 de testes, o que deixa mais próxima a possibilidade de distribuição dessas vacinas para imunizar a população global.
Na véspera, a autorização da transição de governo nos EUA e os primeiros nomes escolhidos por Joe Biden para compor sua equipe também animaram o mercado.
Ainda nos EUA, o presidente Donald Trump veio a público em uma coletiva de imprensa para comentar a alta recorde do índice Dow Jones, que atingiu a marca de 30 mil pontos pela primeira vez. Porém, ele não respondeu a perguntas em um momento em que sua gestão finalmente abre espaço para a transição para o governo do presidente eleito, Joe Biden.
Na Europa, economias importantes, como Reino Unido, França e Alemanha implementam novas medidas de restrição. A Espanha registrou 537 novas mortes na terça-feira, e a Itália, 853, o maior patamar desde março, quando os dados do país eram acompanhados mundialmente, como exemplo da gravidade que a crise de Covid poderia atingir.
Já na terça, o governo francês anunciou o afrouxamento limitado do lockdown no país a partir de meados de dezembro. Alemanha e Espanha estudam implementar restrições sobre as reuniões de Natal e ano-novo, em uma tentativa de impedir a propagação do vírus no feriado. ( Fonte InfoMoney)

